Novel

Chapter 3: Inscrição de Sangue

Lucas e Helena acessam o arquivo 402, descobrindo que o relicário contém uma lista de 'pacientes fantasmas', incluindo a mãe de Lucas. O hospital entra em lockdown, forçando uma separação arriscada. Lucas busca refúgio com Tia Lurdes, apenas para descobrir que o perigo o seguiu até sua porta.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

Inscrição de Sangue

O ar no Setor 402 tinha o gosto metálico de ozônio e poeira acumulada por décadas. Lucas Mendes pressionou o relicário contra o leitor biométrico embutido na parede de concreto descascado, ignorando o tremor em seus dedos. A contagem regressiva no Feed de Rafa Coutinho, projetada em sua mente como um carrasco invisível, marcava agora cinco dias e doze horas. Cada segundo naquele arquivo era uma aposta de alto risco.

— Vai logo, Lucas — sussurrou Helena Vargas, a voz embargada. Ela mantinha os olhos fixos na porta reforçada, a mão trêmula sobre o terminal que hackeara. — O sistema de segurança detectou a anomalia. Se o protocolo de bloqueio for acionado, não sairemos daqui.

Lucas ignorou o aviso, focando na resistência física do objeto. O relicário vibrou, uma frequência baixa que parecia ressoar em seus próprios ossos. Com um estalo seco, o compartimento oculto cedeu. Não houve luzes mágicas, apenas um microchip de silício negro e uma folha de papel timbrado, amarelada, que deslizaram para fora.

Lucas abriu o documento. Seus olhos percorreram a lista de nomes, cada um datado, cada um acompanhado por um código de óbito. No topo, o nome de Marta Mendes, sua mãe, morta há dez anos. A causa registrada era uma falha sistêmica que ele nunca compreendera.

— Ela não morreu de insuficiência cardíaca — murmurou Lucas, a voz rouca lutando contra o zumbido das lâmpadas fluorescentes. — Ela foi reclassificada. Eles a transformaram em um arquivo fantasma para ocultar o que faziam aqui.

Helena avançou, tentando arrancar o relicário, mas o dispositivo emitiu um bipe agudo, uma descarga elétrica que percorreu o braço de Lucas. O brilho azulado da tela do celular de Lucas iluminou o rosto tenso de Helena. A live de Rafa Coutinho, intitulada "O Ladrão de Relíquias: Quem é Lucas Mendes?", atingira o pico. O hospital entrava em lockdown.

— Eles sabem — Helena sibilou, os dedos voando sobre o console para apagar os rastros. — A segurança tem ordens para conter qualquer 'vazamento'. Se sairmos juntos, não chegamos ao estacionamento.

O som de passos pesados ecoou pelo corredor principal. O hospital tornara-se uma ratoeira. No subsolo, entre túneis de serviço que cheiravam a ferrugem e produtos químicos, Helena parou. Ela entregou a Lucas a rota final de fuga, seus olhos encontrando os dele com uma urgência suicida.

— Vá. Se eles me pegarem com a chave mestra, eu ganho o tempo que você precisa para expor essa lista. Não olhe para trás.

Lucas emergiu no estacionamento, exausto, com a verdade em suas mãos e o Feed contabilizando sua queda. Ele correu até a casa de Tia Lurdes, acreditando encontrar refúgio. A sala estava imersa em um silêncio de velório. Lurdes não chorou ao ver a lista; ela apenas apertou o avental, as mãos brancas de tensão.

— Você não deveria ter aberto isso, Lucas — a voz dela era um sussurro rouco, quase inaudível sob o zumbido de um helicóptero que patrulhava o bairro. — Esse relicário não é uma herança, é um contrato de silêncio.

De repente, ela apagou as luzes da sala. No breu, o brilho do celular de Lucas sinalizou uma nova notificação do Feed, e o som de pneus freando bruscamente ecoou na rua. Lurdes inclinou-se, o hálito quente contra o ouvido dele:

— Eles já sabem que você tem a chave.

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced