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Chapter 2: O Preço do Acesso

Lucas confronta Helena Vargas no arquivo hospitalar. Após revelar que sabe a verdade sobre a morte do irmão dela, ele obtém a chave mestra. Helena apaga os registros de segurança, tornando-se cúmplice. Lucas acessa o arquivo 402, onde descobre que o relicário é uma chave biométrica que revela uma lista de nomes, incluindo o da sua própria mãe.

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O Preço do Acesso

O zumbido dos servidores no Setor 402, o arquivo morto do Hospital Público Central, não era apenas ruído elétrico; era a respiração de um sistema que devorava identidades. Lucas Mendes ajustou a mochila, sentindo o peso frio do relicário contra a lombar. Não era uma herança. Era uma sentença de morte codificada em polímero.

No canto da sala, o monitor de tela plana exibia a live de Rafa Coutinho. O contador no topo da tela marcava 5 dias, 22 horas e 14 minutos. A voz de Rafa, processada por filtros de áudio, ecoava pelo arquivo, amplificada por milhões de espectadores.

— O Mendes acha que é um historiador, mas ele é apenas um lixo coletando lixo — a voz de Rafa, processada por filtros de áudio, ecoava pelo arquivo, amplificada por milhões de espectadores. — O relicário não é uma peça de museu. É um emissor de sinal. Onde ele pisa, o Feed rastreia. Ele está nos guiando até o cofre, pessoal. Continuem compartilhando.

Lucas sentiu o estômago revirar. Ele puxou o objeto. Não era ouro ou prata, mas um polímero escuro, denso, com ranhuras que pulsavam em um azul pálido, quase imperceptível. Era um farol de vigilância social disfarçado. Um passo seco ecoou no corredor. Lucas apagou a lanterna do celular, submergindo-se na escuridão entre as estantes de aço, e dirigiu-se ao escritório de Helena Vargas. Precisava da chave mestra.

O ar-condicionado do escritório de Helena zumbia, um som metálico que imitava a vibração do celular de Lucas. Na tela, o contador de Rafa brilhava em vermelho: 5 dias e 12 horas. Helena, a arquivista-chefe, mantinha as mãos trêmulas sob a mesa. Ela o encarava como se ele fosse uma contaminação biológica.

— Você não tem ideia do que está pedindo — ela murmurou. — O arquivo 402 não é apenas sigiloso. É um buraco negro jurídico. Se eu te der essa chave, não é só meu emprego que acaba. É a minha vida.

Lucas colocou o relicário sobre a mesa com um baque pesado. — Eu sei sobre o seu irmão, Helena. Sei que o óbito dele não condiz com a causa real. Eles não o deixaram morrer por erro médico; eles o silenciaram porque ele viu o que havia dentro desta caixa. A relíquia é a prova documental desse silenciamento. Se você não me ajudar, o Feed vai enterrar a verdade dele junto com a minha.

O rosto de Helena empalideceu. O medo não era mais profissional; era visceral. Com um suspiro trêmulo, ela entregou a chave mestra. — Se abrirmos isso, não somos mais funcionários, somos alvos.

Trabalhando sob a luz esverdeada da sala de servidores, o silêncio era interrompido apenas pelo clique frenético das teclas. Lucas observava o cursor de Helena deletar os registros de acesso. De repente, o monitor principal brilhou em vermelho: ANOMALIA DETECTADA: ACESSO NÃO AUTORIZADO EM NÍVEL 4.

— Alguém está monitorando este terminal em tempo real — sibilou Helena. O contador no celular de Lucas mudou: 5 dias e 12 horas. A live de Rafa ria de algo no chat; a imagem na tela mostrou, por um segundo, as câmeras de segurança do corredor onde eles estavam. O cerco se fechava.

Com a chave na mão, Lucas desceu ao subsolo, onde o ar era saturado de um cheiro metálico. Ele inseriu a chave no compartimento secreto do arquivo 402. O mecanismo cedeu com um estalo obsceno. Dentro, não havia pastas, mas chips de dados e gavetas numeradas. Lucas encontrou um compartimento menor, travado por biometria. Ao aproximar o relicário, o objeto brilhou, validando o acesso. O compartimento deslizou, revelando uma lista manuscrita com o selo administrativo do hospital. Seus olhos varreram os nomes, buscando a verdade sobre o irmão de Helena, mas sua respiração travou quando encontrou o nome de sua própria mãe, falecida há dez anos. O segredo não era sobre o hospital; era sobre sua própria origem.

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