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Chapter 4: A Máscara de Ouro

Arthur consolida sua posição como estrategista ao desmantelar a campanha de difamação online de Sampaio com provas financeiras, forçando o magnata a um confronto público onde Arthur reafirma sua dominância, deixando Beatriz convicta de que ele é seu aliado estratégico indispensável.

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A Máscara de Ouro

O ar na sala privativa dos bastidores do Leilão Paulista era denso, impregnado pelo cheiro de café frio e pela eletricidade estática de uma ruína iminente. Beatriz Alencar mantinha as costas rígidas, os dedos ainda trêmulos sobre a pasta de couro que continha o contrato de fusão agora inútil. Ela olhava para Arthur Vale, não mais como o ex-soldado que retornara em busca de um emprego, mas como uma variável desconhecida que ela não sabia como controlar.

— Você sabia que a cláusula 4.2 destruiria a reputação dele antes mesmo que o martelo batesse — disse ela, a voz baixa, carregada de uma desconfiança que beirava o medo. — Arthur, quem é você?

Arthur não respondeu imediatamente. Ele serviu-se de um copo d'água, os movimentos deliberadamente lentos. O silêncio na sala era pontuado pelo burburinho abafado dos convidados lá fora, cujas risadas de pouco tempo atrás haviam sido substituídas por um murmurar tenso sobre o destino de Ricardo Sampaio.

— A pergunta não é quem eu sou, Beatriz, mas o que você está disposta a pagar pelo que restou da sua empresa — Arthur colocou o copo sobre a mesa de mogno com um clique seco. — Aquela cláusula não foi um erro jurídico; foi uma confissão assinada. Com o laudo geológico que apresentamos, a Receita Federal não terá apenas uma justificativa para auditoria; terá uma sentença criminal. O contrato está morto, e Sampaio está enterrado sob as próprias mentiras.

Beatriz sentiu o peso da revelação. Ela não era apenas uma empresária salvando seu legado; era testemunha ocular de uma execução social. — Se eu aceitar sua ajuda, estarei entrando em uma guerra que não sei se posso vencer.

— Você já está na guerra, Beatriz. O que precisa decidir é se quer ser a vítima ou a estrategista.

Horas depois, o escritório de Arthur transformara-se em um posto de comando. A luz azulada dos monitores refletia-se em seu rosto enquanto ele observava a investida desesperada de Sampaio. Portais de notícias de fachada publicavam artigos patrocinados, pintando Arthur como um ex-soldado desequilibrado que forjara laudos para sabotar uma fusão bilionária. A tentativa de Sampaio era óbvia: deslegitimar a prova da peça 42 antes que a Receita Federal cruzasse os dados.

— Ele está usando o desespero como última cartada — murmurou Arthur, os dedos deslizando pelo teclado com precisão cirúrgica. — Ele acredita que, se o público me rotular como impostor, a validade do laudo será questionada no tribunal da opinião pública.

Beatriz, sentada à sua frente, observava a tela. — Se não pararmos isso agora, amanhã seremos apenas um caso de polícia. Sampaio comprou os principais veículos. Eles estão chamando você de estelionatário e a Alencar de cúmplice.

Arthur não respondeu. Ele abriu uma pasta criptografada com o rastro financeiro completo das transações de Sampaio nos últimos três anos. Com um único comando, ele vazou para os agregadores de dados financeiros a prova da transferência que Sampaio fizera para o leiloeiro Moreira. O efeito foi imediato. Em minutos, os comentários nas redes sociais mudaram de tom. A dúvida sobre Arthur evaporou, substituída pela indignação contra o magnata.

O salão nobre do Clube dos Bandeirantes exalava o cheiro de mogno polido e poder estagnado. Arthur caminhava pelo ambiente com uma calma magnética, ignorando os olhares de soslaio da elite que, até ontem, o tratava como um fantasma. Beatriz seguia ao seu lado, seus saltos ecoando no mármore como uma contagem regressiva.

Ricardo Sampaio não esperou. Ele cortou o caminho de Arthur perto da varanda, o rosto contorcido em uma máscara de benevolência que mal escondia a fúria. Atrás dele, dois seguranças posicionaram-se como uma barreira física.

— Você é persistente, Vale — Sampaio disse, a voz carregada de uma ameaça que ele esperava que o público notasse. — Mas a cidade tem memória curta. Sabe o que acontece com soldados que esquecem seu lugar? Eles são enterrados por suas próprias ambições.

Arthur não recuou. Com um movimento fluido, ele ajustou o punho da camisa, revelando um relógio discreto antes de inclinar-se para frente, sussurrando algo que fez o sangue de Sampaio drenar do rosto:

— A hierarquia superior já decidiu, Sampaio. Você não é mais o dono do tabuleiro. Você é apenas a peça que será removida.

Sampaio deu um passo atrás, os olhos perdidos, enquanto ao redor deles, os convidados começavam a se afastar, criando um vácuo ao redor do magnata. Beatriz olhou para Arthur e, pela primeira vez, não viu um soldado, mas o arquiteto de sua própria sobrevivência. A guerra de classes havia apenas começado.

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