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Chapter 5: Licitação de Sangue

Arthur Vale interrompe a licitação municipal, expondo a fraude de Sampaio através de provas documentais e da pressão da Receita Federal. A vitória de Beatriz Alencar é consolidada, enquanto Sampaio é publicamente isolado e despojado de seu poder de influência.

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Licitação de Sangue

O ar na Sala de Licitações da Prefeitura era denso, saturado pelo cheiro de café barato e pelo perfume caro dos homens que ali decidiam o destino da infraestrutura urbana. Ricardo Sampaio ocupava a cabeceira da mesa, sua postura era a de um rei que ainda não percebera que seu castelo estava sendo minado. Ao seu lado, o leiloeiro Moreira evitava olhar para a porta.

Arthur Vale entrou sem pedir licença. Beatriz Alencar o seguia, a postura ereta, o olhar fixo no magnata. O silêncio que se abateu sobre a sala não foi de respeito, mas de um medo instintivo. A elite presente, que minutos antes discutia os termos da licitação como se fossem favas contadas, recuou.

— Beatriz, sua presença aqui é uma violação de etiqueta — Sampaio disse, a voz soando forçadamente calma. Ele deslizou um envelope sobre a mesa, um gesto de desdém. — A licitação já está decidida. Retire-se antes que a segurança precise escoltá-la para fora da minha vista.

Arthur parou a dois metros de Sampaio. Ele não gritou. Sua voz, baixa e desprovida de qualquer hesitação, cortou o ruído ambiente como uma lâmina fria.

— A licitação não está decidida, Ricardo. Ela está sendo auditada. E o seu envelope não contém uma proposta, mas uma confissão de fraude vinculada à cláusula 4.2 do contrato que você tentou me forçar a assinar.

Sampaio riu, mas o som morreu em sua garganta quando Arthur colocou um tablet sobre a mesa. A tela exibia, em tempo real, o fluxo de dados da Receita Federal. O ícone de uma investigação ativa brilhava em vermelho. O rosto de Sampaio, antes rubro de arrogância, tornou-se cinzento.

— O que é isso? — Sampaio sibilou, a mão tremendo levemente ao tentar esconder o envelope.

— É o fim da sua linha de crédito — Arthur respondeu. — O comitê não vai assinar sua proposta. Eles não podem se dar ao luxo de serem associados a um réu confesso.

No canto da sala, o homem de terno cinza, o observador que Arthur sabia estar ali desde o início, ajustou os óculos. Ele não interferiu, mas seu olhar era uma ordem silenciosa para que o processo seguisse o curso da lei. O funcionário do comitê, suando frio, levantou-se e recolheu os documentos de Sampaio.

— Senhor Sampaio, a documentação está incompleta — o funcionário gaguejou, evitando os olhos do magnata. — A proposta da Alencar Empreendimentos é a única que atende aos novos critérios de conformidade.

Beatriz deu um passo à frente, sua voz firme e clara: — A Alencar assume a licitação.

Sampaio tentou se levantar, a fúria transbordando, mas Arthur o interceptou. O ex-soldado não precisou tocar nele; sua presença era um peso físico que mantinha Sampaio preso à cadeira.

— Sente-se, Ricardo. O seu tempo de ditar as regras acabou. Agora, você apenas observa as consequências.

Enquanto Sampaio desmoronava sob o peso do isolamento, os outros empresários começaram a se retirar, evitando qualquer contato visual com o homem que, até ontem, era o dono da cidade. Beatriz, agora no centro do palco, assumiu a liderança da reunião. O tabuleiro de poder havia sido reescrito, e Arthur, nas sombras, já observava o próximo movimento da hierarquia superior que o observava das galerias.

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