Novel

Chapter 3: Oxe, o Leão Acordou

Arthur Vale utiliza o laudo geológico original para expor a fraude de Sampaio perante a elite da cidade, anulando o contrato de fusão e salvando a empresa Alencar. A vitória pública de Arthur atrai a atenção de uma hierarquia superior, sinalizando que a guerra de classes apenas começou.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

Oxe, o Leão Acordou

O escritório de Moreira não cheirava a jade, mas a desespero e verniz barato. Ricardo Sampaio estava parado diante da mesa de mogno, o rosto impassível, enquanto dois seguranças bloqueavam a porta. Arthur Vale, por outro lado, parecia o único homem na sala que não estava suando.

— Moreira — a voz de Sampaio era um comando de seda — destrua esse laudo agora. E depois, garanta que o Sr. Vale tenha uma saída, digamos, menos convencional deste prédio.

Moreira, o leiloeiro cujas mãos tremiam sobre a pasta, hesitou. O laudo geológico original da peça 42 — a prova definitiva de que o jade era uma falsificação sintética injetada com resina — estava a poucos centímetros de distância. Arthur não gritou. Ele nem sequer mudou a postura. Com um movimento lento, retirou o celular do bolso e colocou-o sobre a mesa. A tela brilhava com um comprovante de envio: um e-mail endereçado à Receita Federal e aos principais portais de notícias econômicas da cidade. O assunto era curto: "Fraude em Licitação e Manipulação de Leilão: Provas Documentais".

— O arquivo que você quer destruir, Ricardo, é apenas uma cópia — disse Arthur, a voz cortante como lâmina fria. — A original já está sendo processada pelos servidores da Receita. Se essa sala for aberta com qualquer sinal de violência, ou se Moreira tentar queimar o laudo, o sistema dispara o restante do pacote. Você não está apenas comprando uma briga, está assinando sua própria sentença criminal.

Sampaio empalideceu. O controle do leilão estava escapando. Arthur não lhe deu tempo para reagir; exigiu a presença imediata de todos na sala de assinatura principal. Não era um pedido, era uma intimação.

Minutos depois, na sala VIP, a atmosfera era de um vácuo súbito. Sampaio mantinha a mão espalmada sobre o contrato de fusão, os dedos brancos de força. Beatriz Alencar, pálida, observava a cena. Arthur deslizou a pasta parda sobre o mogno. O som do papel contra o verniz soou como um tiro.

— O leiloeiro Moreira cometeu um erro de cálculo, Sampaio — declarou Arthur, sua voz sem oscilações. — Ele assinou o laudo original da peça 42 antes de ser coagido a emitir a versão adulterada que você exibe agora. O documento contém a assinatura original, o selo de autenticidade e a prova do conluio.

Sampaio tentou rir, mas o som morreu quando viu o selo oficial do instituto geológico no topo do documento. Arthur, ignorando os seguranças, apontou para a cláusula 4.2 do contrato de fusão.

— Esta cláusula não apenas garante a fusão, ela detalha a responsabilidade criminal sobre os ativos leiloados. Ao fraudar a peça 42, você violou os termos que você mesmo escreveu. O contrato é nulo. A empresa Alencar permanece com Beatriz.

O silêncio na sala tornou-se absoluto. Os magnatas presentes, antes submissos a Sampaio, começaram a se afastar fisicamente, como se a proximidade com ele fosse contagiosa. Beatriz, com a voz subitamente firme, anunciou que acionaria a justiça por estelionato. Sampaio ficou isolado, o rosto contorcido pela derrota pública.

Enquanto Sampaio se retirava humilhado em direção ao elevador privativo, um homem de idade avançada, vestindo um terno cinza sem ostentação, destacou-se das sombras. Ele parou diante de Arthur e estendeu um cartão de visita em papel fosco, apenas com um brasão discreto em relevo.

— O senhor Vale, imagino — a voz do velho era um sussurro áspero. — Sampaio é um peão barulhento. Ele sempre esquece que, neste tabuleiro, a peça de jade é apenas o começo. O jogo real acontece em andares que você ainda não visitou.

Arthur aceitou o cartão sem hesitar, mantendo a expressão neutra. Beatriz o alcançou, os olhos brilhando com uma dúvida nova.

— Quem é você, afinal? — perguntou ela.

Arthur respondeu com um leve sorriso: — Alguém que ainda não terminou de cobrar.

Ele olhou para a cidade através da janela de vidro temperado, sabendo que, lá fora, os verdadeiros donos daquele tabuleiro já haviam notado sua jogada.

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced