Novel

Chapter 2: O Preço da Insolvência

Arthur Vale confronta Ricardo Sampaio ao expor as falhas jurídicas no contrato de fusão forçado, salvando Beatriz da assinatura imediata. Ele obtém provas da falsificação do jade junto ao leiloeiro Moreira, mas Sampaio reage com ameaças físicas, subestimando a periculosidade de Arthur.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

O Preço da Insolvência

O martelo do leiloeiro Moreira ainda vibrava sobre a mesa de mogno, um som seco que selava a ruína dos Alencar. Ricardo Sampaio não perdeu tempo. Ele deslizou uma pasta de couro sobre o veludo escuro, o gesto carregado de uma autoridade que ele não possuía por mérito, mas por conluio.

— Assine, Beatriz. A Alencar não tem mais ativos para cobrir o rombo desta arremate. A fusão é sua única tábua de salvação, ou o tribunal decreta sua falência pessoal amanhã ao amanhecer.

Beatriz sentiu o sangue fugir do rosto. A construtora, o legado de três gerações, estava sendo reduzida a um parágrafo de rendição. Ela travou o maxilar, forçando um desdém que sua situação financeira não permitia.

— Isso é um assalto, Ricardo. Você arquitetou essa queda de preços com licitações viciadas. Preciso de quarenta e oito horas para auditar as contas.

— Você tem trinta segundos — Sampaio respondeu, ajeitando as abotoaduras de ouro com uma lentidão insultuosa. — O mercado não espera por herdeiras desesperadas que dependem de favores.

A porta de metal rangeu. Arthur Vale entrou, o passo firme, alheio à tensão que oprimia o ambiente. Sampaio virou-se, os olhos estreitos de desprezo ao ver o pária.

— Você se perdeu, Arthur? — Sampaio soltou uma risada seca. — Este é um setor exclusivo para quem ainda tem relevância. O lixo da família Vale não tem lugar aqui.

Arthur não respondeu. Ele caminhou até a mesa e pousou a mão sobre o contrato. A pressão de seus dedos sobre o papel foi mínima, mas Beatriz viu Sampaio vacilar por um milésimo de segundo. Arthur lia o documento com a precisão de um cirurgião examinando uma ferida aberta.

— A cláusula 4.2 prevê uma multa por atraso na entrega da licitação do viaduto leste — Arthur comentou, a voz desprovida de hesitação. — Curioso. O edital original exigia aço de alta resistência, mas o aditivo que você forçou o conselho a aprovar na semana passada exige um composto que nem sequer atende às normas de segurança. Se este contrato for assinado, a responsabilidade civil recairá sobre o assinante, não sobre o acionista majoritário. Você não está comprando a empresa, Sampaio. Você está comprando uma condenação criminal para a Beatriz.

O silêncio na sala tornou-se denso. Sampaio empalideceu, a máscara de magnata benevolente rachando sob a precisão técnica. Ele não esperava que o ex-soldado conhecesse os detalhes ocultos de suas manobras.

Arthur não esperou pela resposta. Ele deixou Sampaio fervendo de raiva e dirigiu-se aos arquivos de Moreira. O leiloeiro, um homem de papada flácida, tentou esconder uma pasta de couro sob a mesa. Arthur atravessou a sala em dois passos e pressionou o pulso do leiloeiro contra a madeira. Não era força bruta; era o domínio de quem conhecia exatamente onde a dor se tornava uma linguagem universal.

— O certificado de autenticidade da peça 42 — Arthur ordenou. — O laudo geológico original. Não a cópia adulterada que você apresentou no palco.

— Você não tem autorização, Vale! O senhor Sampaio… — Moreira gaguejou, a mão trêmula alcançando o telefone.

Arthur interceptou o movimento. O olhar de Arthur era frio, um resquício de sua vida como Deus da Guerra agora contido sob a capa de um homem comum. O medo no rosto de Moreira foi o sinal de que a armadilha estava armada. O leiloeiro entregou o documento, sabendo que, se o conteúdo fosse exposto, sua carreira acabaria ali mesmo.

De volta aos corredores, a atmosfera mudou. A porta do escritório foi arrombada com um estrondo. Sampaio entrou, ladeado por dois brutamontes de terno barato, os olhos injetados de ódio.

— O prazo acabou, Beatriz — Sampaio rosnou, ignorando Arthur. — Assine a transferência ou o prédio vai abaixo hoje.

Arthur, encostado na parede, bloqueou o caminho entre Sampaio e Beatriz. Ele não se moveu, mas sua presença preencheu o ambiente como uma pressão atmosférica insuportável.

— Você está no lugar errado, Sampaio — Arthur disse, a voz letalmente calma.

Sampaio riu, um som seco e desprovido de humor. Ele gesticulou para os seguranças.

— Tirem esse lixo da minha frente. Quebrem os dedos dele se for preciso. Eu vou acabar com o que sobrou da dignidade dessa família aqui e agora.

Arthur sorriu. Era o sorriso de quem via o xadrez completo enquanto o oponente mal enxergava o tabuleiro. Ele não recuou um milímetro enquanto os brutamontes avançavam. Sampaio, em sua arrogância cega, ainda não compreendia que, ao ameaçar a segurança física de Arthur, ele acabara de assinar a sua própria sentença de ruína pública.

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced