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Chapter 11: O Trono Vazio

Arthur consolida seu poder ao registrar a nulidade da compra do Edifício Horizonte e assumir o controle operacional da Galeria Beatriz. Ele impõe um novo código de conduta aos funcionários, eliminando a influência de Ricardo. O capítulo termina com o recebimento de uma convocação misteriosa dos financiadores superiores, sinalizando o início de um conflito de maior escala.

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O Trono Vazio

A luz da manhã entrava no escritório da Galeria Beatriz, mas não trazia calor. Arthur observava o reflexo de Beatriz no vidro da estante; ela mantinha os olhos fixos na mesa, as mãos levemente trêmulas enquanto empurrava a chave física do cofre principal através do tampo de carvalho. O metal reluzia sob a luz fria do monitor.

— É o fim da linhagem de Ricardo, não é? — perguntou ela, a voz mal passando de um sussurro. — Ele não vai apenas aceitar a falência e desaparecer. Ele vai queimar tudo o que restou de mim antes de cair.

Arthur não respondeu imediatamente. Ele pegou a chave, sentindo o peso frio do objeto — um símbolo de poder que, até poucas horas atrás, estava fora de seu alcance. Ele caminhou até o painel de segurança, ignorando a hesitação dela. A galeria não era mais apenas uma vitrine para leilões; era a sua fortaleza. Ele inseriu o código de override, um protocolo de segurança da era militar que apenas ele e o Coronel Vargas conheciam. O sistema emitiu um bipe seco e a tela principal iluminou-se com a topografia da rede de sensores.

— O sistema estava comprometido por dentro — Arthur disse, a voz cortante. — Ricardo tinha acesso remoto a todas as câmeras. A partir de agora, o acesso é local. Apenas nós.

Às 08:05 da manhã, o ar condicionado do Cartório de Registro de Imóveis Central zumbia, um ruído estéril que sublinhava o confronto. O oficial atrás do balcão, um homem de meia-idade com óculos pendurados na ponta do nariz, empurrou os papéis de volta.

— A solicitação de nulidade carece de um despacho administrativo adicional. Há uma notificação interna de que este ativo está sob análise de prioridade por parte de um grupo de investidores. Não posso prosseguir agora.

Beatriz, ao lado de Arthur, segurava a escritura original do Edifício Horizonte com firmeza, mas o medo era palpável. Arthur não se moveu. O olhar era frio, desprovido de hesitação. Ele sabia que o oficial estava sendo pago para ganhar tempo.

— A cláusula de inalienabilidade de três gerações é absoluta — a voz de Arthur era baixa, cortante como aço. — Se o senhor não carimbar este documento nos próximos sessenta segundos, a denúncia que enviei ao Ministério Público sobre as irregularidades deste cartório deixará de ser apenas um rascunho. O senhor tem certeza de que quer ser o bode expiatório de Ricardo neste momento?

O oficial suou frio. Antes que pudesse responder, a porta de vidro da sala de atendimento se abriu e a figura do Coronel Vargas surgiu, entregando uma pasta com o timbre oficial do Ministério da Defesa. O oficial leu o documento, empalideceu e, sem dizer uma palavra, carimbou a escritura. A posse do edifício estava, finalmente, protegida.

De volta à Galeria Beatriz, o salão principal parecia um campo de batalha contido. Arthur estava na plataforma elevada, o mesmo lugar onde o leiloeiro fora forçado a engolir a própria corrupção horas antes. Abaixo, cinco funcionários de alto escalão — os mesmos que facilitaram as fraudes de Ricardo — mantinham o olhar fixo no chão.

— A partir de agora, a transparência é a única condição para esta galeria continuar existindo — Arthur ordenou. — Auditoria externa, inventário completo e rastreabilidade total. Quem não estiver disposto a operar sob o novo protocolo pode deixar suas credenciais na mesa antes do amanhecer.

Sérgio, um dos gerentes, entregou um envelope pardo com as mãos trêmulas. Arthur abriu-o. Dentro, uma foto antiga dele, uniformizado, em um posto de comando. No verso, a caligrafia fria: "O passado nunca morre, ele apenas aguarda a sua vez de cobrar o preço." Arthur acendeu um isqueiro, queimou a foto sobre o mármore e observou as cinzas caírem. Não houve gritos, apenas o silêncio de quem entendeu que a hierarquia havia mudado.

Naquela noite, sozinho na cobertura, Arthur revisava as telas de segurança. Às 03:12, um sedã blindado sem placas parou na entrada lateral. Um homem de sobretudo desceu, caminhou até a entrada privativa e depositou um envelope selado com cera vermelha. Arthur desceu, recolheu o objeto e rompeu o selo. O cheiro de ozônio e papel antigo emanou do conteúdo. Era uma convocação. Os financiadores superiores, aqueles que sustentavam a sombra de Ricardo, haviam finalmente saído do anonimato.

Ele olhou pela janela para as luzes da cidade, sentindo o peso da nova responsabilidade. A galeria era sua, mas a paz era uma ilusão. Ele murmurou para a escuridão: — A guerra de verdade começa agora.

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