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Chapter 12: O Horizonte de Guerra

Arthur confronta os financiadores superiores de Ricardo no Corcovado, revelando que já vazou as provas de corrupção contidas no microchip, tornando qualquer barganha inútil. Ele retorna à Galeria Beatriz, consolida a posse legal do Edifício Horizonte através de Beatriz e observa a retaliação dos financiadores contra Ricardo, preparando-se para a expansão do conflito em escala nacional.

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O Horizonte de Guerra

O ar gélido da madrugada cortava o terraço da Galeria Beatriz, mas Arthur permanecia imóvel. Abaixo dele, a cidade era um labirinto de luzes decadentes, uma rede de influências que ele acabara de desmantelar. A queda de Ricardo no leilão não fora o fim; fora a faísca que revelou o ninho de cobras que sustentava a ordem local. Um ruído sutil de passos ecoou no concreto. Arthur não se virou. O mensageiro, um homem de terno impecável e expressão desprovida de humanidade, parou a dois metros de distância. Sem uma palavra, estendeu um envelope de papel pesado, lacrado com cera preta. O selo ostentava uma insígnia que Arthur reconheceu de seus arquivos de inteligência: a cúpula financeira que operava muito acima de Ricardo.

— O convite — disse o mensageiro, sua voz soando como metal arranhado.

Arthur pegou o envelope. A textura era áspera, quase como pele seca. Ele não precisava abrir para saber o conteúdo. Era uma convocação. Ao aceitar aquele envelope, Arthur deixava de ser o pária que buscava reparação para se tornar o alvo principal de uma guerra de escala nacional. O mensageiro esperou, os olhos fixos na silhueta de Arthur, aguardando uma hesitação que nunca veio. Ele desceu do terraço, o envelope guardado na parte interna do paletó. Eles achavam que o haviam convidado. Na verdade, ele é quem os convocara.

O encontro ocorreu no mirante do Corcovado. O vento cortava como uma lâmina, mas a temperatura no interior da sala privativa era de um gelo absoluto. O Coronel Vargas, um homem cujas cicatrizes de guerra eram tão profundas quanto as de Arthur, observava o horizonte com uma calma predatória. Ao lado de Vargas, o Dr. Almeida, advogado do consórcio, ajustava os óculos com dedos trêmulos, enquanto o suíço, Senhor Klein, mantinha uma postura gélida. Eles ofereceram uma 'paz lucrativa': o controle da Galeria Beatriz em troca do silêncio de Arthur sobre os dados do microchip.

— Você é um homem inteligente, Capitão — disse Vargas, a voz rouca. — Ricardo era um peão. Queremos apenas que o passado continue enterrado. Entregue o chip, e a dívida da família de Beatriz desaparece. Você terá status, recursos e uma cadeira na mesa onde as decisões reais são tomadas.

Arthur não se moveu. O peso do pingente de jade, agora vazio, parecia mais leve contra seu peito.

— Vocês se enganam — Arthur respondeu, a voz calma cortando o silêncio. — Eu não guardei o chip para barganhar. Eu já enviei cópias criptografadas e autenticadas para três promotores federais e dois dos maiores jornais do país. A sua paz não tem mais valor de mercado.

Vargas sorriu pela primeira vez, um movimento frio que não alcançou seus olhos. — Você não mudou, Capitão.

— Vocês sim — Arthur retrucou. — E pioraram.

De volta à galeria ao amanhecer, o sol desenhava contornos alaranjados sobre os vitrais. Beatriz segurava a escritura original e o laudo técnico com mãos trêmulas.

— Se eu autenticar isso, não haverá retorno — disse ela.

— Ricardo já perdeu o poder de nos tocar — Arthur afirmou, colocando a mão sobre o ombro dela. — O sistema que ele usava para nos manter sob o calcanhar agora se voltou contra ele. Prepare a galeria. Hoje não é mais sobre sobreviver. É sobre assumir o que é nosso.

Beatriz assinou a autenticação diante do tabelião. Arthur subiu novamente ao terraço. Seu celular vibrou: uma foto de um envelope idêntico ao que ele recebera sendo entregue na porta da mansão de Ricardo. A retaliação dos financiadores superiores contra o seu próprio peão falido havia começado. Arthur olhou fixo para o horizonte onde o sol nascia. A guerra de verdade começava agora.

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