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Chapter 5: Aliança de Conveniência

Kaelen e Valéria formam uma aliança tensa para sobreviver a uma horda de mechs no terceiro andar. Kaelen utiliza o nó de dados para localizar sua família, descobrindo que eles são usados como combustível, enquanto o Sistema acelera sua drenagem vital. O capítulo termina com o início do cronômetro de resgate e a revelação de que a Torre é um sistema de processamento de almas.

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Aliança de Conveniência

O ar no terceiro andar da Torre tinha gosto de ozônio e metal queimado. Kaelen estava de joelhos, o cabo de conexão neural vibrando em sua nuca como um nervo exposto. A interface do Sistema tremeluzia em um neon doentio, processando o fluxo de dados extraído do nó.

ERRO: DRENAGEM DE ENERGIA VITAL ACELERADA. STATUS: ANOMALIA DETECTADA.

O aviso era uma agulha fria perfurando seu peito. O Sistema exigia um tributo. Kaelen sentiu uma pontada na memória, um borrão negro onde o rosto de seu pai começava a se dissolver. A Torre estava consumindo sua história pessoal para processar a localização. Ele apertou os dentes, ignorando o gosto metálico de sangue na garganta. O mapa da base de trabalho surgiu no HUD: setor de processamento de resíduos. Sua família não era apenas refém; eram engrenagens humanas.

— Vamos, seu maldito… — Kaelen sibilou. O cronômetro de resgate surgiu: 02:00:00. O som agudo do sensor de proximidade do Sucata-V perfurou o silêncio da galeria.

Valéria surgiu das sombras das tubulações. Seu mech, uma unidade de elite com blindagem reflexiva, bloqueava a saída.

— Você é um erro que se recusa a ser deletado, Kaelen — a voz dela ecoou, destilando uma frieza que mal escondia o tremor de quem sente o chão do ranking ceder. — Entregue a chave de acesso. Minha cota não permite que um sucateiro detenha privilégios que eu não possuo.

Kaelen sentiu o pulso acelerar. O custo da anomalia era real; cada segundo parado ali drenava sua vitalidade. Antes que ele respondesse, o alarme da Torre berrou. Uma horda de mechs descartados, reanimados pela Lei do Piso, avançava pelo corredor. A Torre não aceitava intrusos, e a anomalia de Kaelen era o alvo principal.

— Se não pararmos essa horda, nenhum de nós sai daqui — Valéria disparou, o tom cortante mascarando o medo. Ela estava coberta por fuligem, seus olhos buscando o ponto cego de Kaelen através do link neural.

Kaelen viu a oportunidade: um nó de controle exposto no centro da arena.

— Cubra meu flanco esquerdo — ordenou Kaelen, injetando uma autoridade que não deveria possuir. — Tenho sessenta segundos para quebrar o código. Se a barreira cair antes disso, morremos juntos.

Valéria hesitou, mas a lâmina de um mech inimigo raspando sua carcaça a forçou a agir. Ela girou, disparando rajadas de precisão cirúrgica contra a horda, enquanto Kaelen mergulhava no terminal. Enquanto hackeava, um fragmento de memória de seu mentor surgiu como um código corrompido, sussurrando sobre a verdadeira face da Torre.

Com um movimento brusco, ele inseriu a chave mestra. O setor começou a se fechar, colunas de contenção descendo como guilhotinas de aço. O mapa se expandiu, revelando a conexão direta entre sua família e o combustível da Torre. O cronômetro de resgate começou a contar regressivamente com uma velocidade cruel. A Torre não era um teste. Era um moedor de almas, e ele acabara de ser marcado como o próximo insumo.

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