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Chapter 3: O Primeiro Degrau Público

Kaelen utiliza uma rota oculta para superar o tempo de Valéria na arena, forçando uma atualização pública de ranking que atrai a atenção da Torre. A Torre reage abrindo um novo andar, mudando a topografia e forçando Kaelen a um confronto direto com Valéria enquanto o sistema drena sua energia vital.

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O Primeiro Degrau Público

O cockpit do Sucata-V não era um ambiente de pilotagem; era uma câmara de tortura metálica. A cada pulsação do reator, a carcaça do mech gemia, um som de metal fatigado que ressoava diretamente nos dentes de Kaelen. No painel, o aviso de ANOMALIA DETECTADA pulsava em um vermelho que parecia sangrar pela interface. O atuador de elite, uma peça de engenharia proibida que ele integrara sob o risco de execução, estava emitindo uma assinatura térmica que o Sistema não conseguia ignorar.

— Sistema, isole a assinatura. Agora — Kaelen ordenou, os dedos calejados dançando sobre o teclado tátil com a precisão de quem não tem margem para erro.

Custo de processamento: 50 créditos de sobrevivência — a voz sintética respondeu. O preço era um soco no estômago. Kaelen sentiu a dívida de 450.000 créditos pesar como uma âncora em sua alma, mas ele confirmou a transação. O brilho vermelho na tela oscilou e foi mascarado por um ruído branco artificial. Ele acabara de comprar trinta segundos de invisibilidade. Era o tempo que ele tinha para subir no ranking antes que a fiscalização da Torre percebesse que o "lixo" estava operando com hardware de classe alta.

Ele entrou na arena de provas. O ar ali era denso, saturado com o cheiro de ozônio e o suor frio de milhares de competidores. No alto, o placar holográfico exibia o tempo de Valéria: 02:14.3. A elite corporativa observava das arquibancadas suspensas, figuras cujas roupas imaculadas contrastavam com a graxa que Kaelen carregava sob as unhas. Para eles, ele era um erro estatístico; para Valéria, ele era uma nota de rodapé irritante.

— O lixo subiu de nível — a voz de Valéria cortou o canal de comunicação, fria e polida. — Não estrague o piso, Kaelen. A limpeza custa mais que a sua linhagem.

Kaelen não respondeu. Ele não estava ali para trocar farpas. Enquanto os outros competidores seguiam a rota padrão, ele mergulhou o Sucata-V no duto de ventilação estrutural. Era uma manobra suicida, uma zona de alta pressão que esmagaria qualquer mech convencional. O chassi rangeu, o metal gritando sob a força G, mas o cronômetro despencou: 02:05... 01:58... 01:45.

O placar público atualizou. O nome de Kaelen saltou 500 posições, empurrando Valéria para o segundo lugar. O silêncio nas arquibancadas foi absoluto, um vácuo de choque antes do caos.

Então, a Torre reagiu.

O chão tremeu violentamente. O número 6.920 no placar piscou e desapareceu. O teto da arena, antes um domo de aço, começou a se abrir, revelando um abismo de engrenagens colossais que giravam em um ritmo hipnótico. A energia foi drenada do setor, sugando a vitalidade dos mechs próximos. Kaelen sentiu o puxão no peito; o Sistema estava cobrando o preço da anomalia em energia vital.

Ele tentou manobrar para a saída, mas uma silhueta esguia bloqueou seu caminho. O mech de Valéria, impecável e letal, posicionou-se como uma barreira intransponível.

— Você não é um erro, Kaelen — a voz dela soou, agora desprovida de desdém, substituída por uma curiosidade predatória. — Você é uma anomalia. E anomalias são deletadas.

O teto acima deles se abriu completamente, revelando o terceiro andar: uma zona de morte onde a lei de piso era a sobrevivência do mais apto. O jogo havia mudado, e o novo teto de poder era letal.

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