Aliança Inesperada
O placar da arena ainda brilhava com o "Tier 2" de Leo quando o silêncio caiu sobre o anfiteatro. Não era um silêncio de admiração, mas de medo. O Diretor Vane desceu as escadas de pedra com uma cadência que parecia ditar o ritmo cardíaco de todos os presentes. Sua aura, um tom púrpura doentio, não era apenas autoridade; era uma pressão física que fazia os dentes de Leo vibrarem.
— Uma anomalia estatística — Vane parou a um metro de distância, seus olhos escaneando Leo como se ele fosse um erro de código a ser deletado. — A rede da Torre registrou uma oscilação. Você, um Nível Zero, subindo dois degraus em um único ciclo? Impossível.
Leo sentiu a bile subir. Ele injetou seu único ponto de Destreza, forçando uma calma artificial. Seus músculos, antes exaustos, reagiram com uma precisão cirúrgica. Ele deixou os joelhos cederem, simulando uma exaustão extrema, enquanto canalizava o fluxo de mana para dentro, criando um redemoinho de ruído estático para mascarar sua assinatura real.
— Só… sorte, Diretor — Leo arquejou, a voz falhando propositalmente. — O sistema… ele apenas aceitou o que restou.
Vane estreitou os olhos, o desdém transbordando. Ele não via um prodígio; via um lixo que se recusava a ser descartado. — A sorte é uma falha de design. Vou garantir que ela seja corrigida.
Leo cambaleou em direção à saída, sentindo o peso do olhar de Vane queimando suas costas. Assim que cruzou o portão, o Sistema disparou um alerta vermelho: Rastreamento Institucional Ativo: 85%.
Ele correu para a Biblioteca Proibida. O cronômetro da missão 'Proteja o Legado' piscava em um ritmo frenético: 00:48:12. Sofia já o esperava entre as prateleiras de tomos proibidos, a luz azulada de sua interface projetando sombras angulares em seu rosto tenso.
— Você acha que ser Tier 2 te protege? — ela disparou, sem rodeios. — Você acabou de se tornar uma variável que precisa ser deletada. Vane não tolera erros no sistema.
Leo estendeu a mão, exigindo a prova. Sofia hesitou, então projetou um log de eliminação no ar. Nomes de estudantes que desapareceram sob o pretexto de 'transferências disciplinares' preenchiam a lista. Eram dezenas.
— Ele usa os alunos como baterias, Leo — a voz de Sofia era um sussurro gélido. — Quando a energia de alguém oscila, ele a purga para alimentar aquela fonte de sombra que ele mantém sob a Torre. Você não é um alvo. Você é o próximo combustível.
O corredor principal da Academia transformou-se em uma armadilha. Luzes de emergência pulsavam em carmesim. O cronômetro marcava 00:44:12. Drones de vigilância zumbiam atrás dele, feixes de laser cortando o ar. Ele precisava do novo andar. Se a Torre havia revelado uma brecha, era ali que a lógica de Vane se tornaria obsoleta.
O teto da Torre gemeu, contorcendo-se como ossos quebrados. Seus olhos, aprimorados pela Percepção de Padrões, revelaram a rede de energia selando a entrada.
— Sofia, agora! — Leo gritou, a voz falhando enquanto o chão tremia.
— Se eu desativar o protocolo, o sistema vai fritar seu núcleo! — ela respondeu, a voz distorcida pelo medo.
— Prefiro morrer tentando do que ser o troféu do Vane.
Ele ativou a 'Quebra de Limite'. Uma dor lancinante rasgou seu peito ao drenar 50% de sua energia vital. A porta sibilou e abriu-se enquanto o teto desabava em toneladas de concreto. Leo mergulhou no breu do novo andar enquanto o sistema gritava: Acesso concedido. Risco de morte iminente: 98%. A escuridão engoliu sua consciência, mas o tique-taque do cronômetro, agora em 00:40:00, continuava a ecoar em sua mente.