O Teto de Vidro
O 44º andar da Torre não estava apenas colapsando; ele estava sendo apagado da existência. O teto de liga metálica gemeu, uma sinfonia de metal retorcido que precedeu o impacto de um drone de purga de Vane. O laser escarlate vaporizou o concreto onde Leo estivera um milissegundo antes.
— Eles não vão parar, Leo! — Sofia gritou, a voz cortada pela estática das interferências de Vane. Ela estava pálida, a autoridade de sua linhagem incapaz de conter a brutalidade daquele nível.
Leo ignorou o pânico. Seus olhos, agora aguçados pela percepção de padrões de energia do Tier 2, rastreavam o fluxo residual. O Sistema piscava em um vermelho de alerta: Energia Vital: 50%. O custo de ter aberto a passagem era um abismo em seu peito, mas ele não tinha margem para hesitar. Ele visualizou a falha na geometria do código da Torre — um ponto cego na demolição programada que ninguém mais veria.
— Pule! — Leo agarrou o pulso de Sofia e se lançou no vazio. O portal instável os engoliu no exato momento em que a parede atrás deles virava pó. A porta de segurança selou com um baque surdo, isolando-os da purga, mas o 45º andar era um pesadelo de instabilidade. O ar tinha gosto de ozônio e concreto moído.
Eles invadiram o Núcleo de Dados. Sofia, com as mãos trêmulas, espalmou o painel de controle. Sua linhagem de elite forçou o acesso a protocolos proibidos.
— Vane está usando este andar como um processador para mascarar o fluxo da Fonte de Sombra — sibilou ela, os olhos fixos na cascata de códigos. — Ele não está apenas purgando estudantes, Leo. Ele está colhendo-os como baterias.
Leo mergulhou a consciência na falha. A dor foi lancinante, agulhas de gelo subindo por sua espinha, mas a visão foi clara: hologramas distorcidos de estudantes sendo drenados para um vórtice de energia escura. A prova era irrefutável. O rugido do colapso aumentou. Guardiões automáticos, corrompidos pela energia proibida, surgiram das sombras, lâminas de luz carregadas com a mesma corrupção de Vane.
— Afaste-se — Leo rosnou. Sem mana, sem opções, ele forçou o sistema a ignorar as restrições de Tier.
— Ativar: Quebra de Limite.
O ar ao redor de Leo estalou com faíscas negras. O brilho carmesim da habilidade forçada rasgou sua pele, desenhando veias escuras por seus braços enquanto o Sistema gritava erros de execução. Ele não atacou os guardiões; ele atacou a própria lógica da Torre. Com um rugido, ele desferiu um golpe que colidiu com o ponto crítico da estrutura inimiga, sobrecarregando o sistema de controle dos autômatos. Os guardiões caíram, mas o custo foi devastador. Leo sentiu sua energia vital despencar, a escuridão periférica avançando enquanto seu corpo falhava sob o peso da técnica proibida.
Eles emergiram do andar em ruínas de volta ao Pátio Central da Academia. O silêncio foi imediato. Centenas de estudantes pararam. Leo, com o drive de dados cravado na memória, cambaleou sob o olhar de todos.
— O aluno Leo, nível zero, está sob custódia imediata — a voz de Vane ecoou, onipresente e gélida. Drones de segurança desceram como vespas de metal, miras laser pintando o peito de Leo.
Leo olhou para Sofia, depois para o sistema de broadcast da academia. Ele não tinha mais energia para lutar, mas tinha o suficiente para uma última transmissão. Com um esforço final que drenou o resto de sua vitalidade, ele hackeou o sistema de som. O pátio silenciou. O cronômetro da purga zerou. Leo enviou os arquivos.
O sistema de ranking da Academia, o pilar que sustentava a hierarquia de Vane, começou a piscar e colapsar em tempo real. A verdade estava no ar, e o caos era apenas o começo.