A Prova de Fogo no Pátio
O pátio da Academia de Elite vibrava com uma estática opressiva. O cronômetro de expulsão de Leo — 00:54:12 — projetava um brilho azulado e doentio sobre o concreto, um lembrete constante de sua iminente irrelevância. À frente dele, Kael, o campeão da turma e herdeiro de uma linhagem de elite, girava uma lança de energia que deixava rastros de ozônio no ar.
— Nível Zero — zombou Kael, a voz amplificada pelos alto-falantes da arena. — Vane quer te deletar hoje. Eu apenas vou adiantar o processo.
Leo não respondeu. Sua percepção estava alterada. Com o ponto extra em Destreza, o mundo parecia ter desacelerado. Ele não via apenas a lança; via os micro-ajustes nos músculos de Kael, a oscilação na rede de energia que alimentava a arma e a falha óbvia na guarda do oponente. O Sistema vibrava, alertando para o rastreamento ativo do Diretor Vane, mas Leo forçou a interface da Torre a mascarar sua assinatura, como uma mancha de óleo sobre a água.
Kael avançou. O ataque foi uma estocada rápida, projetada para incapacitar. Leo deu um passo lateral, quase imperceptível, deixando a ponta da lança rasgar o vazio onde seu peito estivera um segundo antes. O choque na plateia foi audível; o silêncio que se seguiu, pesado. Com um giro preciso, Leo desferiu um golpe seco no ponto cego do campeão. O impacto foi acompanhado por um som metálico, como vidro sendo quebrado. O prodígio caiu, o brilho de seu status oscilando violentamente antes de apagar.
O sangue do oponente ainda fumegava no chão quando Vane surgiu, sua aura de elite pressionando o ar como uma prensa hidráulica. Ele não esperou os protocolos de honra. Seus olhos, injetados com o brilho neon da interface de supervisão, cravaram-se em Leo.
— Nível 4? — Vane zombou, aproximando a mão blindada do peito de Leo. — Impossível. Mostre-me o log do sistema em tempo real, agora.
Leo sentiu o suor frio escorrer. Se Vane acessasse sua rede, descobriria a falha que ocultava seu potencial. Com o coração martelando, Leo forçou uma conexão com o núcleo da Torre. Ele sacrificou dez segundos de sua reserva crítica de 'Tempo' e injetou-a diretamente no sensor de Vane como um ruído estático violento. O dispositivo de Vane chiou, faíscas saltando de seu pulso. Ele recuou, bufando de frustração.
— Seu hardware é lixo, garoto. Um erro de processamento quase fritou meu link — Vane sibilou, mas seus olhos semicerrados revelavam uma análise predatória.
Leo manteve a respiração controlada, sentindo o peso da "taxa de sobrecarga" corroendo sua interface. Ele mal teve tempo de processar a vitória quando o chão sob seus pés, antes sólido, começou a falhar em sua renderização. Frestas de um código azulado e instável se contorciam como artérias de luz no concreto. O Diretor Vane, parado a poucos metros, estreitou os olhos. Ele não via as frestas, mas sentia a anomalia.
Foi então que o Sistema emitiu um aviso em letras flamejantes: ALERTA: Rota oculta detectada. Acesso à Memória de Piso 0-A: Aberto. Prazo de validade: 00:10:00.
O pátio começou a se dissolver. Para os outros, era apenas uma falha visual na projeção da Academia. Para Leo, era uma porta escancarada para o desconhecido. O cronômetro de expulsão continuava a correr, mas agora o sistema oferecia uma alternativa perigosa. Ele olhou para Sofia, que observava de longe, seus olhos arregalados ao notar que ele fitava algo que ela não podia ver. O portal cintilante se abriu no ar, exibindo um andar que não constava nos registros oficiais da academia. Leo deu o primeiro passo em direção ao portal invisível. A tela do sistema piscou: 'Nível de Acesso: Desconhecido. Risco: Fatal. Você aceita o desafio?'