Novel

Chapter 7: O Portão de Nível Fecha

Kael escapa do duelo público com Lívia Aço ao hackear a arena e entrar na Rota Oculta. Durante a travessia, ele decodifica parte da memória de seu mentor, revelando que a dívida dos pilotos é o combustível que sustenta os andares superiores da Torre. Ele cruza o portão do Nível 2 no último segundo, encontrando um cemitério industrial de mechs e confirmando que o sistema é uma máquina de colheita deliberada.

Release unitFull access availablePortuguese / Português

Internal Links

Browse related catalog lanes

Full chapter open Full chapter access is active.

O Portão de Nível Fecha

O alerta no painel do Sucata-09 não era um aviso; era um grito eletrônico. A interface tremeluzia em vermelho ácido enquanto o reset de rede, forçado pelo hack de Kael, transformava a Arena Principal em um borrão de estática. As torres de vigilância giravam freneticamente, incapazes de travar a mira no mech que operava sob o manto da interferência eletromagnética.

Lívia Aço, a poucos metros, mantinha seu modelo de elite em prontidão absoluta. O brilho polido de sua armadura contrastava com a fuligem que escorria pelas juntas do Sucata-09. Kael sentia o peso da dívida — triplicada pela punição do sistema — vibrar no núcleo do motor como uma âncora. Se ficasse ali, o sistema forçaria a reconexão e sua assinatura de energia seria exposta, entregando-o para a punição definitiva.

— Você não pode se esconder para sempre, Kael — a voz de Lívia, amplificada pelos alto-falantes da arena, cortou o caos. — O sistema registra cada oscilação do seu dissipador. A sua falha é apenas uma questão de tempo.

Kael não respondeu. Ele não tinha créditos para desperdiçar em diálogo. Seus dedos dançavam sobre o terminal, desviando a carga térmica do dissipador de Classe-B para os propulsores laterais. Com um solavanco violento, o Sucata-09 disparou para trás, mergulhando na cortina de fumaça ionizada. O calor era insuportável; o metal rangia, protestando contra a manobra de sobrecarga que consumia sua dívida como combustível. Ele não estava apenas fugindo do duelo; estava rompendo a hierarquia.

A Rota Oculta, um fragmento de dados que seu mentor deixara codificado em um arquivo morto, pulsava na visão periférica. O espaço-tempo na parede da arena começou a se dobrar. O portão do Nível 2 não era uma porta, mas uma cicatriz brilhante na realidade da Torre. O cronômetro, impiedoso, marcava trinta segundos.

Kael forçou a alavanca de aceleração. O chassi vibrou com a proximidade do portal. Atrás de si, o sinal de Lívia tentava romper a estática. Ele tinha uma escolha: recuar e enfrentar a fúria da elite, ou atravessar o portão e encarar o desconhecido. Ele avançou.

O ar dentro da Rota Oculta tinha um gosto metálico e estéril. O painel piscava em âmbar: Custo de Manutenção: 3x. Dívida Atual: 462.000 créditos. Cada segundo drenava sua conta como se ele estivesse queimando suas próprias esperanças. O sistema tentava corrigir o erro de arquitetura com picos de tensão que fritavam os sensores externos.

— Vamos, seu monte de sucata, aguenta — murmurou Kael. Ele enfiou o código extraído do servidor morto diretamente no núcleo de navegação. Sacrificou a integridade dos propulsores laterais, selando os jatos de manobra para desviar toda a energia para o estabilizador de fase. O metal da carcaça cedeu, mas a rota, antes um borrão, tornou-se um corredor nítido de luz azulada.

O fragmento de memória começou a decodificar. A imagem projetada mostrava a Torre não como um teste de mérito, mas como uma máquina de colheita. A dívida dos pilotos era o combustível real que mantinha os andares superiores flutuando. Ele viu os fluxos financeiros: a miséria dos subníveis convertida em luxo para a elite. Seu mentor não havia falhado; ele fora deletado por mapear esse dreno.

A compreensão atingiu Kael como um soco, mas o cronômetro mudou para vermelho pulsante. O portão do Nível 2 começou a se fechar. Acesso em: 00:00:30. O Nível 2 não era um campo de provas; era uma zona de combate real. Ele acionou os propulsores centrais, sentindo o calor do motor queimar através do assento, e mergulhou na fenda.

O portão se fechou atrás dele com o som de uma guilhotina. O silêncio que se seguiu era a quietude de um predador. Kael, ofegante, olhou para a interface. O novo nível era uma carcaça industrial, um cemitério de mechs cujas dívidas haviam sido drenadas até a última gota. Enquanto os dados fluíam para seu terminal, a verdade se revelou em linhas de código frias: a Torre estava canalizando a energia vital de cada piloto para o topo. Ele não era mais um competidor; era um alvo de alta prioridade, e o sistema já estava reescrevendo as regras para garantir que ele nunca saísse dali.

Member access

Keep reading across novels, comics, and audio.

Preview first. Subscribe when you want the next chapter, episode, or track.

  • Monthly and yearly membership
  • One library for every format
  • Progress and favorites stay synced