Duelo sob Pressão
O ar na Arena Central da Academia era uma mistura sufocante de ozônio ionizado e o suor frio de trezentos estudantes. No camarote superior, o Diretor Vane observava com a imobilidade de uma gárgula, seus olhos fixos em Leo. Não era apenas um duelo; era um expurgo institucional. O cronômetro holográfico no pulso de Leo, um brilho vermelho pulsante, marcava 00:09:42. Se o tempo chegasse a zero antes da vitória, o sistema de Leo seria deletado, e ele voltaria a ser o pária sem recursos que a Academia tanto desejava descartar.
— O azarão vai ser moído — a voz de Sofia ecoou das arquibancadas. Não era um grito, mas um sussurro carregado de autoridade que se espalhou como uma praga. Ela não precisava de esforço para manter o status quo; o desdém dela era a lei da arena.
Kael, o veterano de Tier 2 escolhido por Vane, avançou. Sua aura era densa, uma névoa cinzenta que distorcia o ar ao seu redor. Ele não brincava. Sua lâmina de energia azulada cortou o espaço onde Leo estivera um milissegundo antes. Leo sentiu o deslocamento de ar contra a pele. Ele não podia lutar com força bruta; sua reserva de energia vital era uma fração da de Kael.
Ativar: Rota do Observador.
O mundo desacelerou. O sistema projetou linhas de probabilidade sobre Kael, destacando em vermelho as falhas em sua postura defensiva. Leo sentiu a dor aguda de sua energia vital sendo drenada para sustentar a visão preditiva. Cada batida de seu coração era um martelo contra o peito, um custo físico imediato que ele pagava para enxergar o que ninguém mais via: a falha na física da arena.
Kael preparou um ataque em área, uma descarga de energia que varreria o setor. Leo não recuou. Ele avançou por dentro da guarda do veterano, forçando uma colisão de frequências que desestabilizou o campo de força da arena. Houve um clarão ofuscante, o som metálico de Kael sendo arremessado contra a grade de proteção, e o silêncio absoluto que se seguiu.
— Isso é uma falha técnica, não uma vitória! — a voz de Vane trovejou, sua postura impecável traindo uma fúria contida. — Desqualifiquem o competidor. O sistema de Leo é uma anomalia.
Leo sentia o peito arder. Seu sistema enviava alertas de Sobrecarga de Estabilização. Ele ignorou a dor, apontando para o topo da estrutura. A luz do teto da arena distorcia-se em um portal âmbar. O estrondo mecânico sacudiu a fundação. O portal para o Andar Proibido vibrava com uma estática que devorava a luz.
Leo sentiu o Selo da Rota queimando em seu pulso. Ele não esperou pela decisão de Vane. Mergulhou na fenda. A sensação foi a de ser atravessado por mil agulhas de gelo. Atrás dele, o portal estalou e se fechou com a força de um cofre de metal, isolando-o da Academia.
O novo andar era um pesadelo de ruínas flutuantes conectadas por pontes de luz instável. Leo mal teve tempo de se equilibrar quando uma presença hostil, algo que não deveria estar ali, manifestou-se nas sombras. O cronômetro em seu pulso reiniciou, contando para trás a partir de um desafio que ele sequer conseguia mensurar. Longe dali, do outro lado da fenda selada, o Diretor Vane observava a cicatriz deixada pelo portal com um sorriso gélido, percebendo que o erro de sistema havia se tornado uma variável incontrolável.