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Chapter 10: A Verdade no Código

Kael descobre que suas cicatrizes são comandos de administração da Torre, confirmando sua natureza como um 'agente de correção' do sistema. Após um confronto final com Lívia, ele utiliza essa autoridade para abrir o acesso ao andar superior, revelando que a Torre é uma prisão para seus criadores.

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A Verdade no Código

O ar no Andar Fantasma não era composto de oxigênio, mas de uma estática fria que arranhava os pulmões de Kael. O cronômetro de purga, projetado no centro de sua visão, pulsava em um vermelho doentio: 00:58. Não era apenas uma contagem regressiva; era o som da Torre tentando apagar sua existência como um erro de processamento. Kael caiu de joelhos, o peso da transição forçada esmagando seus ombros. Sua pele, marcada pelas cicatrizes do duelo contra Lívia, começou a emitir uma luminescência azulada e instável. O sistema tateava seu corpo, tratando as feridas como dados corrompidos que precisavam ser deletados.

Ele olhou para o próprio antebraço. As marcas, que sempre acreditara serem apenas cicatrizes de uma vida de sucateiro, estavam se rearranjando sob a pressão da purga. Elas não eram linhas aleatórias; eram padrões de código em baixo relevo, a linguagem bruta que sustentava a arquitetura da Torre.

— Você não está me deletando — sibilou Kael, os dentes trincados pela agonia. — Você está me expondo.

Ele fechou os olhos, invocando o Fragmento de Memória. A conexão foi um choque que quase o desfez. Em vez de resistir à purga, Kael usou as cicatrizes como uma interface de acesso. Ele não estava lutando contra a Torre; ele estava lendo o seu núcleo através da própria carne. O sistema, em sua tentativa de purgar o "erro", havia inadvertidamente aberto as portas de acesso administrativo que a elite da Torre escondia sob camadas de privilégio.

Kael se arrastou até o setor isolado dos Arquivos Decadentes. O ar ali tinha gosto de ozônio queimado. Mestre Vane o esperava entre estantes de pergaminhos digitais corrompidos. O velho arquivista não se virou, mas sua postura rígida denunciava a tensão.

— O ranking público já está em chamas por causa do seu nome — disse Vane, sem olhar. — Você é a anomalia que eles não podem explicar.

Kael estendeu o braço, revelando as marcas que serpenteavam sua pele.

— Elas não param de emitir sinais, Vane. O sistema não está me caçando. Ele está tentando me compilar.

Vane finalmente se virou, seus olhos cravados nas cicatrizes. O cinismo habitual do mentor deu lugar a um horror reverente.

— Isso não é uma marca de batalha — sussurrou Vane, a voz falhando. — É um privilégio administrativo. O sistema te escolheu como um agente de correção, Kael. Você é o erro que a Torre criou para se autoajustar. A elite sabe disso, e é por isso que eles escondem o núcleo. Eles não são os mestres; são apenas carcereiros.

Antes que Kael pudesse processar a magnitude da revelação, o chão tremeu. O Andar Fantasma começou a colapsar sobre si mesmo. Lívia surgiu do vácuo, sua armadura de elite cintilando com uma luz artificial que tentava mascarar o erro sistêmico que a rotulava como "anomalia". Ela parecia um animal encurralado, com os olhos fixos na marca de Nível 12 que brilhava sobre o peito de Kael.

— Você é um erro! — sibilou ela, sua lâmina de luz cortando o ar em um arco de desespero.

Kael não recuou. Enquanto desviava do golpe, ele sentiu o calor latejante em seu antebraço. Ele não estava apenas combatendo Lívia; ele estava lendo o terreno. Ele agarrou o pulso dela no ar, ignorando a descarga elétrica que tentava fritar seus nervos.

— O sistema não é ordem, Lívia. É uma prisão desenhada para descartar quem não serve — Kael rebateu, sua voz calma e cortante.

Ele forçou a mão contra o painel de controle do portão, usando a autoridade das cicatrizes. O portão não apenas se abriu; ele se desfez, revelando que o andar superior não era uma recompensa, mas o centro de controle da prisão. Kael olhou para o abismo à sua frente, finalmente compreendendo a verdade: a Torre não era um teste de mérito, era uma máquina de purga, e ele acabara de assumir o comando da alavanca.

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