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Chapter 9: O Cerco ao Conselho

Arthur confronta Viana, selando sua queda pública, e obtém provas definitivas da corrupção do Conselho. Enquanto o Conselho planeja uma eliminação radical contra ele, Arthur revela ter um aliado infiltrado, transformando a ameaça em uma armadilha final.

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O Cerco ao Conselho

O mármore do saguão do Centro Municipal de Licitações, outrora um templo de autoridade, tornara-se para Ricardo Viana um corredor de humilhação. O magnata caminhava com a postura rígida de quem ainda tentava sustentar um império de cartas, mas o silêncio que o cercava era mais ensurdecedor que qualquer grito. Onde ele passava, aliados de longa data desviavam o olhar, guardando seus telefones com a pressa de quem tenta esconder um crime. A notícia da desclassificação de Heitor e da vitória de Arthur havia varrido a cidade, selando o destino de Viana antes mesmo que o sol se pusesse.

Arthur esperava junto à coluna central, o corpo relaxado, as mãos nos bolsos do paletó alinhado. Ele não precisava de seguranças ou de alarde; sua presença era a própria sentença. Viana parou a poucos metros, o rosto contraído em uma máscara de fúria contida.

— O jogo mudou, Ricardo — disse Arthur, a voz baixa, cortante. — O Conselho não apenas descartou sua licitação. Eles revogaram o acesso do seu grupo a qualquer certame público pelos próximos cinco anos. Verifique seu terminal, se ainda tiver um que funcione. Sua conta corporativa foi suspensa por inconsistências documentais graves.

— Você não passa de um oportunista — sibilou Viana, os punhos cerrados. — Acha que esse teatro de documentos falsificados vai apagar quem você é? O Conselho não se curva a um pária como você.

Arthur deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal do magnata. O olhar de Viana vacilou, revelando o pânico que ele tanto tentava esconder. Arthur não precisava de violência; ele possuía a única arma que importava naquele mundo: a verdade institucional.

— O Conselho não se curva a ninguém, Ricardo. Eles apenas descartam o que se tornou um passivo. E você, hoje, é o maior passivo da cidade.

Sem esperar uma resposta, Arthur virou as costas e saiu, deixando Viana sozinho no centro do saguão, um homem que acabara de perder o chão sob os pés.

Horas depois, no escritório do Restaurante Legado, a atmosfera era de uma calma tensa. Beatriz, agora uma aliada inabalável, deslizou um envelope pardo sobre a mesa de mogno.

— Estão todos aqui — disse ela, a voz um fio de tensão. — Registros de comunicação, transferências bancárias, a assinatura do presidente do Conselho validando a destruição da nossa família há cinco anos. Se isso chegar à imprensa, o Conselho inteiro cai junto com Viana.

Arthur abriu o envelope. As páginas, marcadas com o selo oficial da prefeitura, eram a prova irrefutável de que a ruína de seu pai fora uma execução fria e calculada.

— Eles sabem que temos isso? — perguntou ele.

— Sabem que você os desmascarou na licitação. O pânico é total — Beatriz contornou a mesa, os olhos fixos nos dele. — Recebi uma notificação informal, Arthur. Eles não vão apenas tentar nos processar. Estão falando em retaliação radical. Se você sair deste restaurante hoje, não há garantia de segurança.

Arthur sorriu, um gesto frio que não alcançou seus olhos. Ele já antecipara aquele movimento.

— Eles não entendem que, ao planejar minha eliminação, eles apenas me entregam a chave para o golpe final. Tenho alguém lá dentro, Beatriz. Alguém em quem eles confiam cegamente.

Enquanto isso, na sala de reuniões do Conselho Superior, o ar era denso, carregado com o cheiro de mogno polido e o suor frio de homens que sentiam o chão ceder. Ricardo Viana não estava presente; ele era agora uma nota de rodapé descartável.

— A situação é insustentável — rosnou o Conselheiro Heitor, as mãos trêmulas. — Se o contrato do 'Legado' for ratificado, nossa influência sobre as obras públicas será permanentemente cortada. Precisamos de uma solução definitiva.

O Conselheiro Mendes, um homem cujos olhos nunca abandonavam o celular, deu um passo à frente.

— Eliminação extrajudicial — disse ele, a voz desprovida de qualquer emoção. — Ele é um pária. Se ele desaparecer antes da assinatura final, a licitação será reaberta. Viana já nos deu a cabeça dele em uma bandeja; só precisamos fechar o acordo.

No canto da mesa, quase invisível na penumbra, o aliado infiltrado de Arthur gravava cada palavra, cada assinatura, cada intenção criminosa. A ordem de execução foi selada e enviada, caindo, minutos depois, diretamente nas mãos de Arthur em seu centro de comando particular.

Quando o enviado do Conselho chegou ao escritório de Arthur, trazendo a ameaça de encerramento do 'Legado', ele encontrou o protagonista em pé, observando as luzes da metrópole. Arthur não se moveu. Ele estendeu uma pasta de couro, contendo não apenas o contrato da licitação, mas as provas documentais da fraude sistemática do Conselho, obtidas pelo infiltrado.

— O Conselho não me deu uma ordem, eles me deram a prova de que precisam desesperadamente de um bode expiatório — Arthur disse, a voz cortante enquanto o enviado empalidecia. — Diga a eles: a retaliação que eles planejaram é a evidência que vai garantir que cada um deles termine atrás das grades. O jogo acabou.

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