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Chapter 7: O Jantar dos Traidores

Arthur infiltra-se no banquete da elite, desestabilizando a aliança de Ricardo ao expor a fraude do Lote 42 para o principal investidor. Após causar a ruptura pública, ele retorna à mansão e confronta o primo traidor, obtendo a lista completa dos membros do consórcio que controla a cidade.

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O Jantar dos Traidores

O Hotel Imperial não era apenas um prédio; era o cofre-forte da elite paulistana. O ar, saturado com o perfume caro de lírios e o cheiro metálico de champanhe, escondia o pânico de homens que sentiam o chão ceder. Amanhã, o leilão do legado da família de Arthur seria o golpe final, mas hoje, o banquete de celebração servia como a última ceia dos conspiradores.

Arthur entrou sem convite. Ele não precisava de um. O terno, de um corte que nenhum alfaiate local ousaria replicar, era sua armadura. Quando ele cruzou o saguão, o burburinho cessou. Ricardo, o homem que construíra um império sobre as cinzas da reputação de Arthur, estava no centro de um círculo de investidores, rindo de algo que, em poucos minutos, deixaria de ser engraçado.

Dois seguranças interceptaram Arthur. O maior deles, um homem com o pescoço largo demais para o colarinho, bloqueou o caminho.

— O evento é privado, senhor. Sua presença aqui é uma afronta ao anfitrião.

Arthur não parou. Ele apenas inclinou a cabeça, o olhar frio como o aço de uma lâmina cirúrgica. Sem elevar a voz, ele retirou um envelope selado do bolso interno do paletó.

— O anfitrião está operando um terreno embargado desde 1998. O Lote 42 não é dele; é um passivo judicial. Se você me tocar, a auditoria que já está em posse das provas oficiais vai considerar sua interferência como obstrução de justiça. Quer ser o primeiro a ser algemado, ou vai abrir o caminho?

O segurança hesitou. A autoridade de Arthur não vinha de um título, mas da certeza absoluta de quem detém a informação que destrói carreiras. O homem recuou, confuso.

Arthur caminhou até o terraço privativo. O Sr. Valente, o maior investidor da cidade, observava a metrópole com um charuto trêmulo. Ele não precisou se virar para saber quem se aproximava.

— Ricardo me garantiu que você era um pária, Arthur. Um homem sem recursos.

— Ricardo mente sobre o que ele controla — Arthur respondeu, parando ao lado dele. — Ele prometeu a você o Lote 42. Eu tenho a escritura original. O consórcio que o sustenta já o descartou como um passivo. Se você não se distanciar agora, o naufrágio dele vai levar o seu capital junto.

Valente empalideceu. Arthur não esperou a resposta. Ele viu o investidor olhar para Ricardo com novos olhos — olhos de quem busca uma saída de emergência. O status de Ricardo, construído sobre a arrogância, começou a rachar diante de todos.

Arthur saiu do hotel antes que a segurança pudesse processar sua audácia. O próximo alvo não era um investidor, mas o tumor dentro de sua própria casa.

Na mansão, o silêncio era absoluto. Arthur encontrou seu primo no escritório, as mãos trêmulas enquanto tentava forçar a gaveta do cofre. O som do papel sendo rasgado ecoou como um tiro.

— O valor de mercado de uma consciência é surpreendentemente baixo, não é? — a voz de Arthur surgiu das sombras.

O primo congelou. Arthur caminhou até ele, a calma em seus movimentos sendo mais aterrorizante do que qualquer grito. Ele estendeu o dispositivo com a confissão digital de Otávio. O traidor desmoronou, a máscara de lealdade caindo. Ele não tentou negar; ele apenas entregou a lista completa dos nomes do consórcio. Arthur segurou o papel como quem segura uma arma carregada. A guerra contra o consórcio superior havia começado, e, pela primeira vez, ele não estava mais na defensiva.

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