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Chapter 6: A Prova de Fogo

Arthur confronta Helena sobre a traição interna, escapa de uma emboscada da prefeitura usando sua rede de contatos para forçar o recuo do Inspetor Sales e, finalmente, desestabiliza a aliança de Ricardo ao sussurrar sobre suas fraudes para o principal investidor da cidade.

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A Prova de Fogo

O mármore do hall de entrada da mansão, antes um símbolo de solidez, agora parecia um gelo fino sob os pés de Arthur. O ar estava pesado, saturado com o perfume de lírios que tentava, sem sucesso, mascarar o cheiro de hospital que ele trazia nas roupas. Helena esperava no salão, as mãos cravadas em um relatório financeiro como se fosse a única coisa que a impedia de colapsar.

— O inspetor Sales esteve aqui — disse ela, a voz falhando. — Ele exigiu acesso ao cofre. A situação saiu do controle, Arthur. Eles estão vindo por tudo.

Arthur não respondeu imediatamente. Ele caminhou até a mesa de centro e pegou a chave que Helena deixara ali. O metal era leve demais, o corte das ranhuras, impreciso. Uma falsificação barata, feita para ganhar tempo enquanto o verdadeiro conteúdo era drenado.

— Sales não virá — Arthur disse, a voz desprovida de qualquer emoção. — Ele recebeu uma ordem de cima. Uma ordem que ele não tem autoridade para questionar.

Helena empalideceu. — Do que você está falando?

— Estou falando de traição, Helena. Otávio confessou. A chave foi trocada por alguém de dentro desta casa. Alguém que você insiste em proteger por um medo que já não tem mais fundamento.

Ele não esperou a defesa dela. O tempo era uma variável que ele não podia mais desperdiçar. Com a confissão digital de Otávio no bolso, Arthur sabia que o cerco estava se fechando, mas também sabia que o Prefeito, ao tentar usar a força bruta, havia cometido o erro de expor sua própria conexão com o consórcio.

Ao sair da mansão, a chuva de São Paulo transformava as ruas em um labirinto de reflexos escuros. Três sedans pretos bloqueavam a saída. Homens da prefeitura, braços armados do consórcio, desceram dos veículos com a arrogância de quem detém a lei. O líder, um homem com uma cicatriz fina na têmpora, aproximou-se com a arma em punho.

— O jogo acabou, Arthur. Entregue o conteúdo.

Arthur parou sob a luz vacilante de um poste. Ele não correu; ele calculou. — Vocês não estão aqui para recuperar nada. Estão aqui para queimar a evidência antes que ela chegue à corregedoria. E vocês estão atrasados.

Ele disparou pela rota tática que conhecia, um beco industrial que os agentes subestimavam. A perseguição foi curta. Arthur usou a estrutura do armazém para desorientar os perseguidores, desarmando o líder com uma precisão que não deixava espaço para resistência. Em minutos, o pendrive estava conectado ao terminal. A validação digital foi concluída. A prova da conspiração entre o Prefeito e o consórcio agora era um fato documentado.

Ao sair do beco, deu de cara com o Inspetor Sales, que cercava a saída com viaturas. O rosto de Sales era uma máscara de autoridade em ruínas.

— Fim da linha, Arthur. O mandado é claro.

Arthur permaneceu imóvel, os olhos fixos em Sales. — Você tem certeza disso? Uma vez que esse rádio transmitir a ordem, não haverá retorno para a sua carreira. Ou para a sua vida.

O rádio de Sales chiou. O inspetor levou a mão ao aparelho, o rosto tornando-se cinza enquanto ouvia a voz do superior hierárquico exigindo o recuo imediato. Sales baixou a arma, o ódio substituído por um terror confuso. Ele sinalizou para que suas equipes abrissem caminho. Arthur estava livre, consolidando sua posição acima da lei local.

Horas depois, o salão de festas do Hotel Imperial exalava um luxo sufocante. Ricardo tentava manter a pose, girando uma taça de cristal enquanto falava com o investidor-chefe da cidade. Arthur, impecável, moveu-se entre os convidados. Ao passar pelo grupo, ele não olhou para Ricardo, mas fixou o olhar no investidor. Ele se aproximou o suficiente para que sua voz, baixa e cortante, rompesse o protocolo social.

— O consórcio está queimando o seu capital para cobrir as fraudes que Ricardo cometeu com a escritura do lote 42. Verifique os registros da auditoria de hoje. O senhor é o próximo a perder tudo se continuar atrelado ao nome dele.

Arthur deu dois passos para trás, mantendo a postura perfeita. O investidor, habituado a farejar lucros, congelou. A taça em sua mão tremeu enquanto ele virava o rosto para encarar Ricardo com um desprezo glacial.

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