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Chapter 6: O Arquivo Morto

Bia infiltra-se no hospital usando um crachá clonado, descobre que o prontuário físico foi adulterado, mas encontra uma pista deixada por uma enfermeira demitida. Ela recupera uma prova biológica no necrotério usando um truque térmico para enganar as câmeras, foge pelos dutos de resíduos e retorna à sua pensão, apenas para encontrar o local invadido pelos seguranças do hospital, forçando uma fuga desesperada.

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O Arquivo Morto

O relógio digital na recepção do Santa Fé marcava 03:14. Setenta e uma horas e trinta e quatro minutos para o expurgo definitivo dos servidores. O tempo não era apenas um número; era um predador que encurralava Beatriz Rocha contra as paredes frias do hospital. Disfarçada sob o uniforme azul-marinho de um técnico de manutenção, ela sentia o peso do crachá clonado de 'Roberto S.' como uma sentença de morte pendurada no peito. O sistema biométrico, agora em alerta máximo, não era apenas uma trava de segurança; era um olho mecânico que a caçava desde que seu próprio acesso fora revogado. Cada passo pelos corredores desertos era uma aposta. Bia sabia que o sistema de vigilância, compartilhado com a Basílica do Padre Samuel, não tolerava anomalias. Se o verdadeiro Roberto estivesse em casa, o alarme dispararia antes que ela alcançasse o Arquivo Morto.

O ar no porão era denso, impregnado com o cheiro de papel envelhecido e o desinfetante hospitalar que tentava, sem sucesso, mascarar a podridão da negligência. Bia deslizou entre as estantes metálicas, ignorando o feixe de luz que varria o posto de enfermagem distante. Ela precisava do prontuário físico de Lucas Menezes; o único registro que o sistema digital não conseguiria corromper remotamente. Seus dedos, trêmulos, vasculharam a seção de pacientes não segurados até encontrar a pasta. O coração disparou quando ela a abriu. Suas esperanças, porém, foram esmagadas em segundos: o documento original havia sido substituído por uma cópia carbonada, limpa demais, com assinaturas forjadas e horários de medicação ajustados para encobrir o sacrifício cirúrgico. Eles haviam previsto a busca física.

— Malditos — sussurrou, a voz morrendo nas paredes de concreto. No verso da última folha, um pequeno pedaço de papel adesivo trazia uma caligrafia apressada de uma enfermeira demitida meses atrás: 'Eles não apagaram tudo. O original está no necrotério'.

A mudança de alvo foi instantânea. O necrotério era o lugar mais vigiado e, ironicamente, o mais frio. Bia moveu-se pelo labirinto de corredores, o cronômetro mental martelando 71:34:12. Ao chegar ao setor, o desafio era térmico: câmeras infravermelhas monitoravam qualquer fonte de calor. Sem hesitar, ela rompeu um saco de gelo do armazenamento de órgãos e espalhou o conteúdo pelo jaleco. O frio cortante atravessou sua pele, fazendo seus dentes baterem, mas, para os sensores, ela tornou-se apenas uma sombra na temperatura ambiente. Com movimentos precisos, ela alcançou a gaveta 402. O metal rangeu como um grito no silêncio sepulcral. Lá estava: a amostra de tecido, a prova biológica que ligava a morte de Lucas ao transplante do filho do Deputado Viana. Ao escondê-la no forro do jaleco, passos pesados ecoaram no corredor. A segurança de Arnaldo estava ali.

Bia não esperou para ser cercada. Ela mergulhou no túnel de resíduos, um duto claustrofóbico que cheirava a formol e desinfetante industrial. A fuga foi uma descida frenética pela escuridão, com o prontuário em papel apertado contra o peito. Ao emergir no beco lateral, a chuva fina de Santa Fé caía como um véu de chumbo. Ela correu até a pensão, mas, ao chegar, o pesadelo se materializou: a porta estava arrombada, o batente lascado por força bruta. O cheiro de tabaco barato — o mesmo dos seguranças da diretoria — impregnava o ar. Vozes graves vinham de dentro do seu quarto. Arnaldo não esperara o amanhecer. Bia recuou para a janela de serviço, o metal rangendo sob sua mão trêmula. Sem lugar para se esconder e com a prova física em mãos, ela saltou para o beco escuro, sabendo que a contagem regressiva agora não era apenas pelo hospital, mas por sua própria vida.

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