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Chapter 5: A Prova Inconveniente

Elias acessa o vídeo anônimo no arquivo morto, confirmando que o paciente do 402 está vivo em uma ala experimental secreta. Ao tentar forçar o sistema para salvar Júlia, ele perde seus privilégios de auditor e é identificado como invasor, tornando-se um alvo direto de Helena enquanto o relógio da purga continua a correr.

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A Prova Inconveniente

O ar no arquivo morto do subsolo tinha o gosto metálico de ozônio e poeira antiga. Elias Viana pressionou as costas contra a estante de metal, o peito subindo e descendo em um ritmo forçado. O relógio no visor do seu celular, um lembrete cruel de sua falência iminente, marcava 08:24:12 para a purga definitiva do sistema. A cada segundo, a Dra. Helena Sampaio consolidava seu cerco.

Ele não tinha mais o pendrive. Júlia estava nas mãos da segurança, provavelmente sendo interrogada para expor sua rede de contatos. Elias puxou o terminal de rede isolado que encontrara atrás de pilhas de prontuários em papel, relíquias de uma era em que a verdade ainda podia ser lida sem um token de segurança. O arquivo de vídeo anônimo que recebera antes da emboscada estava ali, aguardando. Ele inseriu o código de descriptografia, os dedos trêmulos. A tela brilhou com um azul gélido, revelando o interior da ala experimental, um lugar que não constava nas plantas oficiais do hospital.

O leito 402, que deveria estar vazio após a declaração de óbito, ocupava o centro da tela. O paciente não estava morto. Ele estava sedado, mantido em um estado de conservação forçada, enquanto uma equipe de elite sob as ordens diretas de Helena manipulava os sinais vitais para justificar o óbito. O vídeo era a prova: o homem fora 'desligado' deliberadamente para liberar o leito para alguém influente. A curiosidade de Elias transformou-se em um pavor gelado; ele não era mais apenas um auditor, era a testemunha que precisava ser silenciada.

Elias sabia que o token que arrancara de Júlia era inútil, mas o código de erro que o sistema disparara revelava a porta dos fundos que ele precisava. Ele acessou o diretório raiz usando a senha de emergência de um antigo administrador. O custo foi imediato: ao forçar a entrada no log de transferências, o sistema de segurança do hospital emitiu um pulso de alerta. Elias perdeu seus privilégios de auditor; sua identidade profissional foi deletada, transformando-o em um invasor anônimo na rede. Ele agora era um espectro dentro da máquina, caçado pelo próprio hospital.

Deslizando pelos corredores de serviço, ele viu pelos monitores a 'equipe de limpeza' em ação. Não era uma desinfecção, era uma purga. Eles estavam esvaziando alas inteiras de pacientes 'inconvenientes', movendo-os como carga viva para o setor experimental. Uma mensagem piscou em seu terminal, enviada pelo aliado anônimo: uma rota de fuga que passava pela sala de Helena. Era uma armadilha ou o único caminho para a verdade?

Elias chegou ao terminal central de segurança, o último refúgio antes da purga total. Suas mãos suavam enquanto ele tentava desviar a patrulha do corredor norte, onde Júlia estava mantida. Ele digitou o comando de sobrescrita, a chave mestra que Helena acreditava ter invalidado. O cursor piscou, verde e promissor, até que o sistema travou. Um clique seco ecoou na sala de controle. De repente, a tela principal não exibia mais os logs. Em letras garrafais, vermelhas como sangue seco contra o fundo preto, seu nome apareceu: ELIAS VIANA - INTRUSÃO NÃO AUTORIZADA. O alerta não era um erro; era um convite. Helena o observava. O relógio marcava 08:24:12, e o hospital inteiro agora sabia exatamente onde ele estava.

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