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Chapter 9: Guerra de Classes

Arthur neutraliza a invasão do Cartel do Leste na Casa de Leilões usando protocolos de segurança, expõe publicamente as fraudes financeiras do grupo para a elite paulistana e, ao ter suas contas congeladas pelo 'Barão', revela que sua verdadeira força reside no controle da infraestrutura urbana, preparando o contra-ataque ao bunker do Cartel.

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Guerra de Classes

O escritório executivo da Casa de Leilões Alencar, outrora um santuário de prestígio, tornara-se uma fortaleza sob cerco. Arthur Valente, sentado na cadeira de mogno que servira de trono à decadência dos Alencar, observava as luzes de São Paulo através da vidraça panorâmica. O silêncio no andar superior contrastava com o caos no saguão: Beatriz Alencar, despojada de seus títulos e movida por um desespero maníaco, lançara sua última ofensiva. Mercenários do Cartel do Leste, homens cujas presenças poluíam o mármore, tentavam forçar as entradas principais.

Arthur não se levantou. Ele tocou o terminal central, ativando o protocolo de reconhecimento de voz configurado por Mestre Elias.

— Bloquear acessos. Isolar setor B. Ativar sistema de pressurização de exaustão — ordenou, a voz desprovida de hesitação.

O prédio respondeu. Portas blindadas selaram-se com um estrondo pneumático, isolando Beatriz e seus capangas no saguão. Enquanto os gritos dela ecoavam pelos dutos de ventilação, Arthur observava o monitor de segurança. A polícia, alertada por um chamado anônimo, já cercava o local. Beatriz não seria apenas expulsa; seria escoltada como uma criminosa sob o peso de sua própria insolvência. O Cartel do Leste não esqueceria o insulto, mas a linhagem do Dragão havia retomado o que era seu.

Horas depois, no salão principal, o ar ainda carregava o cheiro de verniz caro e o suor frio de uma elite que, pela primeira vez, não sabia quem detinha o poder. Arthur estava no centro do palco, com os dedos repousados sobre um tablet que controlava a espinha dorsal tecnológica do edifício. Abaixo dele, jornalistas e investidores observavam a tela gigante que exibia fluxogramas de lavagem de dinheiro ligando o Cartel aos Alencar.

— O Cartel do Leste não é um investidor — Arthur declarou, sua voz amplificada cortando o burburinho. — Eles são os arquitetos da insolvência que testemunharam nos últimos leilões. Cada lance vencedor financiado por eles era uma peça de um xadrez projetado para drenar a liquidez desta cidade.

Um representante do Cartel, Viana, levantou-se na terceira fileira, os olhos estreitados em ódio. Ele gesticulou para seus seguranças, mas os homens congelaram ao notarem que as portas automáticas haviam sido travadas pelo protocolo de segurança da escritura 402-B.

— Isso é difamação, Valente! — Viana rugiu.

Arthur sorriu, um gesto desprovido de calor. Com um toque, projetou os registros de transações ilegais no telão. O pânico financeiro foi imediato. A elite paulistana, sempre rápida em abandonar navios que afundam, começou a se afastar dos representantes do Cartel. O isolamento financeiro do grupo era agora um fato consumado.

Contudo, a vitória teve um custo. Naquela mesma noite, no bunker secreto do Cartel, o líder conhecido apenas como 'O Barão' respondeu. O silêncio no escritório de Arthur não era de paz, mas de uma pressão atmosférica que faria os ouvidos de um homem comum sangrarem. Mestre Elias, pálido, apontou para a tela que exibia o colapso em cascata de suas contas corporativas.

— Eles congelaram tudo, Arthur. Reservas, fundos operacionais, até as contas pessoais. O Barão não está brincando. Eles querem que você declare falência antes do amanhecer.

Arthur não desviou o olhar. Seus dedos repousavam sobre a mesa com a serenidade de quem executava um plano de contingência há muito preparado.

— O Barão cometeu um erro de principiante, Elias. Ele atacou o sistema financeiro, acreditando que eu dependo de bancos. Ele esqueceu que a linhagem do Dragão não negocia com moedas de papel, mas com o controle da infraestrutura que sustenta esta cidade.

O Cartel tentou um ataque cibernético massivo para apagar os rastros de suas operações, forçando o corte de energia do prédio. Arthur, porém, redirecionou a carga, expondo a localização do bunker inimigo através de um rastreamento reverso que drenava os recursos de reserva do Cartel em tempo real. O mapa do esconderijo surgiu no telão principal da Casa. Arthur levantou-se, a chave física do Dragão brilhando em sua mão. A guerra não terminaria nos tribunais; terminaria onde o Cartel se escondia, no coração da rede que ele estava prestes a desligar.

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