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Chapter 5: A Queda dos Preços

Arthur orquestra o colapso financeiro da Casa Alencar ao comprar suas dívidas ocultas, deixando Beatriz sem liquidez e Rafael em uma posição de vulnerabilidade estratégica. O capítulo termina com Arthur garantindo sua entrada no evento beneficente de elite, preparando o isolamento social de Beatriz.

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A Queda dos Preços

O escritório improvisado nos fundos do café histórico era um bunker de dados, onde a luz azul dos monitores banhava o rosto de Arthur Valente em um tom gélido. À sua frente, o gráfico das ações da Casa Alencar não apenas caía; ele despencava, uma ladeira íngreme desenhando o fim de uma dinastia. Arthur não demonstrava euforia. Para ele, aquilo era a execução de uma sentença redigida anos atrás, quando a traição de Rafael ainda era uma ferida aberta.

— O mercado é uma besta sensível, Mestre Jader — disse Arthur, a voz cortando o silêncio como uma lâmina de jade. — Basta o sussurro certo no ouvido do regulador, e a confiança que Beatriz levou décadas para construir se dissolve em minutos.

Jader, sentado na penumbra, observava os números com um brilho de admiração contida. O vazamento sobre as irregularidades no leilão da jade imperial servira como o gatilho perfeito. Arthur digitou um comando final, autorizando a liquidação massiva de títulos da dívida que ele adquirira silenciosamente. A manobra era cirúrgica: ele não apenas detinha o poder de cobrar a Casa Alencar, mas estrangulava o fluxo de caixa da empresa no momento em que a reputação de Beatriz atingia o ponto de congelamento.

Horas depois, Arthur entrou no escritório de Rafael na Faria Lima sem ser anunciado. O ambiente era um mausoléu de poder construído sobre as cinzas da família Valente. Rafael, de costas, observava a metrópole sob uma chuva fina, mantendo um telefone encostado ao ombro.

— A liquidação dos ativos Valente deve ser concluída até o fechamento da bolsa — a voz de Rafael era desprovida de remorso. — Se a Beatriz não conseguir segurar as ações da Alencar, quebre a empresa dela também. O mercado não perdoa fraqueza.

Rafael desligou e virou-se, o sorriso ensaiado congelando ao encontrar o olhar de Arthur. O silêncio esticou-se entre eles como uma corda de piano prestes a romper.

— Você deveria estar morto, ou escondido no buraco de onde saiu — disse Rafael, ajeitando as abotoaduras. — Você é apenas um fantasma reivindicando um trono que já foi leiloado.

Arthur não respondeu com palavras. Ele depositou um tablet sobre a mesa de mogno. A tela exibia a confirmação da aquisição de dívida de alto risco da Alencar. O rosto de Rafael perdeu a cor à medida que compreendia a extensão do bloqueio: Arthur não estava apenas atacando Beatriz; ele havia fechado o cerco sobre o próprio capital de Rafael, tornando-o refém da sua próxima jogada.

Enquanto isso, na cobertura da família Alencar, o pânico era absoluto. Beatriz encarava o terminal enquanto milhões evaporavam.

— Injete o capital de reserva! — ordenou ela, a voz cortante, embora suas mãos tremessem.

— Não é possível, senhora — respondeu seu assessor, a voz fraca. — Nossas contas foram congeladas por uma ordem judicial vinculada à auditoria do leilão. E o banco notificou a revogação de nossa linha de crédito principal. O controle da dívida corporativa foi transferido para um credor anônimo.

Beatriz sentiu o vazio sob seus pés. Ela não tinha mais o poder de ditar os termos. O destino da Casa Alencar já não lhe pertencia.

De volta ao seu escritório, Arthur finalizou a última transferência eletrônica. O status da dívida da Casa Alencar piscava na tela: Transferido. Credor: A.V.. Ele assinou o documento físico com uma firmeza deliberada. Não era apenas dinheiro; era a sentença de morte social de uma herdeira que acreditava que o sobrenome Alencar era uma armadura impenetrável.

— Ela ainda tem o evento beneficente amanhã — observou Jader, observando o mestre da linhagem Dragão. — Ela tentará usar o prestígio daquela sala para estancar a hemorragia e buscar novos sócios.

Arthur fechou a pasta de couro com um estalo seco, um sorriso frio desenhando-se em seus lábios. Ele já tinha o convite em mãos, garantido pelo maior rival de Beatriz. Amanhã, a rainha do leilão chegaria ao salão, mas, desta vez, não haveria trono para ela. Ela estaria isolada, enquanto ele entraria como o mestre do jogo.

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