O Contra-Ataque de Luxo
A porta de mogno da sala privativa do Hotel Imperial não apenas se abriu; ela cedeu sob o peso de uma autoridade que ninguém ali esperava que Arthur possuísse. Beatriz, sentada à cabeceira da mesa de vidro, parou de falar no meio de uma frase sobre projeções de lucro. Seus três investidores estrangeiros, homens que mediam o mundo em contratos de exclusividade, viraram-se simultaneamente com olhares de quem foi interrompido por um garçom inconveniente.
— Arthur? O que você está fazendo aqui? — A voz de Beatriz não era de dúvida, mas de uma autoridade ferida que tentava se recompor. — A segurança foi instruída a manter a lista de convidados estrita. Você não tem acesso a esta reunião.
Arthur não respondeu imediatamente. Ele caminhou até o centro da sala, ignorando o advogado de Beatriz, que já se levantava com uma carranca de quem preparava uma expulsão física. O silêncio na sala era denso, carregado pelo cheiro de café caro e pelo suor frio que brotava na testa da herdeira. Ele retirou uma pasta de couro simples do paletó e a deslizou pela mesa, parando exatamente à frente do investidor principal, o Sr. Vance.
— A segurança não me barrou, Beatriz. Eles apenas leram o documento que apresentei — Arthur disse, sua voz calma, desprovida da submissão que ela costumava explorar. — Eu não sou um intruso. Sou o detentor de 11,4% do capital social da sua empresa. O suficiente para exigir meu lugar na mesa.
Beatriz empalideceu. O choque foi imediato, transformando o escárnio dos investidores em uma tensão palpável. Ela tentou agarrar a pasta, mas Arthur a segurou firme.
— Você está blefando — ela disparou, gélida. — O contrato de exclusividade com a mineradora de Myanmar é o pilar da minha divisão de jade. Ninguém pode invalidá-lo por capricho.
Arthur deslizou um tablet sobre a mesa. Na tela, o status do contrato de fornecimento da Emerald Gate piscava em um vermelho proibitivo.
— O mercado não opera por promessas, Beatriz, mas por liquidez — Arthur respondeu. — A mineradora não assinou um contrato de exclusividade com você. Eles assinaram um aditivo de transferência de prioridade. O seu acordo expirou no momento em que você tentou leiloar aquela resina sintética como jade imperial. A Câmara de Avaliação não perdoa fraudes, e os fornecedores, menos ainda.
Os investidores começaram a folhear os relatórios que Arthur distribuíra. O Sr. Vance, antes um aliado incondicional de Beatriz, soltou um longo suspiro, fechando a pasta.
— Sra. Beatriz, se isso for verdade, nossa exposição ao risco é inaceitável — Vance murmurou.
Beatriz levantou-se, as mãos apoiadas sobre o tampo de mogno, os nós dos dedos brancos. — Você é apenas um estranho tentando sabotar um legado que nunca compreendeu!
— O legado não é seu, Beatriz. É uma ilusão de solvência mantida por contratos que, a partir de agora, pertencem à Nova Era Holding — Arthur respondeu. Ele não precisou gritar; sua quietude era a arma mais letal na sala. Ele deslizou o documento final para votação. A ratificação da transferência foi aprovada em minutos, selada pela procuração que Arthur detinha através da empresa-fantasma.
Beatriz ficou sozinha na cabeceira da mesa enquanto os investidores se retiravam, evitando seu olhar. O celular sobre a mesa vibrou. Era seu executivo, com a voz embargada pelo pânico:
— Sra. Beatriz, a mineradora interrompeu tudo. Eles alegam que o contrato de exclusividade foi transferido. A nova beneficiária final da empresa que assumiu os direitos é… é Arthur.
Beatriz deixou o celular cair sobre o vidro. O mundo que ela construíra sobre a arrogância estava desmoronando, e Arthur, o homem que ela considerava um peso morto, era o arquiteto de cada destroço. Amanhã, na gala anual, o golpe final seria dado: a exposição pública de suas dívidas ocultas. O jogo de poder apenas começara.