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Chapter 4: Sombras do Passado

Arthur sela a humilhação de Beatriz ao registrar oficialmente a fraude no leilão. Em seguida, encontra Mestre Chen, que revela que a fraude era um teste de um consórcio superior, escalando o conflito para uma guerra de poder maior. O capítulo termina com Beatriz descobrindo que Arthur assumiu o controle de seus contratos de fornecimento.

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Sombras do Passado

O ar nos bastidores do Salão de Leilões de Jade era denso, impregnado pelo odor de incenso barato e pelo pânico metálico que emanava dos seguranças. Arthur caminhava com a precisão de um homem que não estava mais pedindo licença, mas auditando o fim de uma era. À sua frente, o leiloeiro, um homem cujas mãos tremiam tanto que os papéis de licitação emitiam um som de folha seca, tentava desesperadamente recolher os registros da venda cancelada.

— Arthur, por favor — a voz de Beatriz cortou o corredor, um comando que, até vinte minutos atrás, teria feito as pernas de Arthur travarem. Agora, ela soava apenas como o ruído de um motor fundido. Ela caminhava em sua direção, os saltos batendo contra o mármore com uma cadência agressiva. — Você não tem ideia do que acabou de fazer. O consórcio não perdoa erros. Se esse laudo for protocolado, a divisão de jade da nossa família será liquidada em quarenta e oito horas.

Arthur parou diante do leiloeiro, ignorando a proximidade de Beatriz. O perfume floral dela, antes um símbolo de status, agora parecia sufocante, artificial. Ele estendeu a mão, o selo dourado da Câmara de Avaliação de Jade brilhando na luz fluorescente. Era o documento que transformava a fraude em sentença.

— O erro não foi meu, Beatriz. Foi a sua arrogância de acreditar que eu continuaria sendo o acessório decorativo que você exibia em jantares — disse Arthur, sua voz calma, desprovida de qualquer emoção que não fosse a de uma autoridade inquestionável. Ele entregou o laudo ao leiloeiro. — Registre. O mercado precisa saber que a peça é resina sintética de alta densidade, não jade imperial. Se tentar esconder, a Câmara virá pessoalmente buscar suas licenças.

Beatriz parou, o rosto pálido, a máscara de superioridade rachando sob os olhares curiosos dos investidores que se aglomeravam na entrada dos bastidores. Ela percebeu, tarde demais, que o homem que ela tentou humilhar não estava mais sob seu controle; ele estava ditando o preço da sua ruína.

*

A porta dos fundos da galeria de Mestre Chen rangeu, um sussurro de madeira seca que parecia ecoar o peso da história. Arthur entrou, o cheiro de incenso frio e antiguidades o acolhendo como um velho conhecido. Chen estava de costas, ajustando a luz sobre uma peça que não pertencia à vitrine pública.

— Você demorou — disse Chen, sem se virar.

— Beatriz tentou me seguir. Tive que despistá-la — Arthur fechou a porta, sentindo o alívio de estar fora do teatro social.

Chen virou-se, os olhos fundos carregados de uma gravidade milenar. Ele empurrou uma pasta de couro sobre a mesa de ébano. — Escândalo familiar é o menor dos problemas dela. O laudo já circula. Beatriz perdeu quarenta milhões em valor de mercado hoje. Mas preste atenção: a falsificação não foi um erro dela. Foi um teste de estresse aplicado pelo consórcio superior. Eles queriam ver quem ousaria auditar o mercado.

Arthur abriu a pasta. Dentro, um organograma detalhado mostrava as veias financeiras da cidade, conectando famílias, empresas-fantasma e leiloeiras. Ele não era apenas um homem retomando um nome; ele era a peça que faltava no tabuleiro da autoridade de mercado.

— Ao expor a fraude, você não apenas humilhou Beatriz — Chen continuou, a voz baixa e perigosa. — Você declarou guerra a um consórcio muito maior. A paz acabou, Rei Dragão. Eles virão buscar o que você reivindicou.

*

No trigésimo andar, o escritório de Beatriz parecia um santuário em chamas. A sala de reuniões privada estava em silêncio absoluto, um silêncio que pesava mais que qualquer grito. Os magnatas que, horas antes, disputavam um lugar à mesa com a herdeira, agora evitavam seu olhar, focados em seus próprios dispositivos. Uma notificação de falência técnica da divisão de importação piscava na tela de Beatriz como uma sentença de morte.

Ela bateu a palma da mão na mesa de carvalho. — Isso é um erro burocrático! A Câmara não pode ter transferido os contratos sem a minha assinatura!

Ninguém respondeu. A prova de sua derrota estava na tela: os contratos de fornecimento, os pilares de sua riqueza, haviam sido movidos para uma empresa fantasma controlada por Arthur. Ele não havia apenas exposto a fraude; ele havia desmantelado a estrutura financeira que ela acreditava ser sua por direito. Enquanto a notificação de encerramento de contrato subia para o topo da tela, Beatriz percebeu que o 'estranho' que ela subestimara não era um intruso. Ele era o dono legítimo de tudo aquilo, e o jogo de poder estava apenas começando.

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