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Chapter 7: Sangue nas Mãos

Beatriz busca refúgio na casa da Dra. Cecília após escapar do hospital. Ela descobre que o encobrimento do Lázaro-9 é sistêmico e histórico, mas a polícia local, a mando de Siqueira, cerca a casa, forçando Beatriz a uma fuga desesperada enquanto a cidade é bloqueada.

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Sangue nas Mãos

O ar gélido do estacionamento do Hospital Santa Fé não trazia alívio; ele apenas fazia a ferida no flanco de Beatriz latejar com uma precisão cirúrgica. Sem o crachá, perdido no subsolo, ela era agora uma intrusa, um erro de sistema a ser deletado. O relógio digital em seu pulso brilhava com uma urgência cruel: faltavam 41 horas e 15 minutos para que o prontuário 402-B fosse permanentemente apagado. Ela apertou o cartão de memória contra a palma da mão, sentindo a borda plástica perfurar sua pele. Era a única prova real do Lázaro-9, o fármaco experimental que transformara pacientes em cobaias para proteger o patrimônio da família Siqueira.

O som de pneus cantando no asfalto molhado interrompeu seu raciocínio. Beatriz se agachou atrás de uma picape branca, o coração batendo contra as costelas. Não era um carro de segurança comum; o giroflex azul e vermelho iluminou o pátio, revelando a insígnia da polícia municipal. Ela observou, horrorizada, enquanto dois oficiais desembarcavam. Eles não vasculhavam o local com a cautela de quem busca uma fugitiva comum; moviam-se com a precisão de quem executa uma ordem de eliminação. A cidade inteira, ela percebeu, tornara-se uma extensão do hospital. Ela não estava apenas sendo caçada; estava sendo cercada.

Beatriz conseguiu escapar pelas sombras do perímetro, alcançando a casa isolada da Dra. Cecília, sua antiga mentora. O interior da residência era denso, impregnado com o cheiro de incenso e livros antigos. Cecília, com as mãos trêmulas pela idade, mas ainda firmes, limpou o corte em seu flanco. A dor era um lembrete constante da fragilidade de sua posição.

— Você não deveria ter trazido isso para cá, Beatriz — a voz de Cecília era um sussurro rouco enquanto ela olhava para o cartão de memória sobre a mesa de centro. — O Santa Fé não é uma instituição de cura. É um arquivo de silêncios. O caso 402-B não é um erro; é um protocolo de descarte que remonta a décadas.

Cecília caminhou até uma estante, retirando um volume encadernado em couro. Dentro dele, havia nomes. Dezenas de nomes, todos pacientes que haviam morrido sob circunstâncias "inexplicáveis". Beatriz sentiu o sangue gelar. A corrupção não era um desvio; era a própria base sobre a qual a cidade fora construída.

— O Lázaro-9 é apenas a última iteração — continuou Cecília, os olhos fixos na parede. — Eles não apenas apagam prontuários. Eles apagam pessoas.

Beatriz mal teve tempo de processar a revelação. Um som seco na entrada da casa disparou seu alarme interno. Eram 03h14 da madrugada. O motor pesado de um veículo parado no cascalho da entrada não deixava dúvidas: a polícia local, o braço armado de Siqueira, havia chegado.

— Saia pelos fundos, Beatriz — ordenou Cecília, a voz carregada de uma urgência familiar. — Eles não vieram para conversar. Eles vieram para garantir que você nunca saia desta cidade.

Beatriz espiou pela fresta da cortina. Dois homens em uniformes impecáveis caminhavam em direção à varanda. Não portavam lanternas; eles sabiam exatamente onde ela estava. A percepção atingiu Beatriz com a força de um soco: o cerco era total. Enquanto ela corria para a saída dos fundos, o silêncio da noite foi quebrado pelo som de um rádio policial sintonizado na frequência da casa. Uma voz metálica anunciou o bloqueio absoluto de todas as saídas da cidade. Beatriz estava encurralada em um labirinto, e o Dr. Siqueira acabara de fechar a última porta.

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