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Chapter 6: O Confronto no Subsolo

Beatriz escapa da sala de servidores selada ao forçar uma falha técnica, confronta Léo para recuperar o backup físico do 402-B e consegue fugir do hospital após uma distração, perdendo seu crachá de identificação no processo. O hospital agora a caça como uma intrusa, com a polícia local mobilizada para impedir sua saída da cidade.

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O Confronto no Subsolo

O ar na sala de servidores do Santa Fé tornou-se denso, saturado pelo calor dos processadores e pelo zumbido elétrico que parecia perfurar os tímpanos de Beatriz Viana. No painel de controle, o cronômetro digital brilhava em um vermelho clínico: 41 horas e 58 minutos para a purga total. O sistema de ventilação fora desligado. O oxigênio era agora um recurso finito, um luxo que ela estava perdendo a cada respiração ofegante.

Do outro lado do vidro temperado, a silhueta de Arnaldo Siqueira era uma mancha estática. Ele não precisava entrar; ele a via através das câmeras, observando-a como um espécime em um frasco de formol. Sua voz, filtrada pelo alto-falante, soou desprovida de qualquer humanidade.

— Você é um erro de sistema, Beatriz. E erros, nesta instituição, são corrigidos antes que se tornem metástases.

Beatriz ignorou o terror que subia por sua garganta. Ela não tinha tempo para o medo. Seus dedos, ágeis e calejados por anos de auditoria, percorreram o console. Léo a traíra, selando a sala para garantir a quitação de suas dívidas, mas ele cometera um erro: subestimara o desespero de quem não tem mais nada a perder. Ela não tentou hackear a porta; ela atacou o hardware. Com um movimento preciso, ela forçou um curto-circuito no sistema de refrigeração, provocando uma sobrecarga térmica que forçou as travas magnéticas a liberarem por segurança contra incêndio.

O estalo metálico da porta destravando foi o som da sua sobrevivência. Ela se lançou para fora, colidindo com Léo, que ainda monitorava o console portátil no corredor. Beatriz o imobilizou contra a parede, a pressão de seu antebraço contra a garganta dele era pura urgência.

— Siqueira não paga dívidas, Léo. Ele paga silêncio. Se eu cair, você é o próximo arquivo deletado — ela sibilou, a voz cortante. O técnico, pálido e trêmulo, entregou o cartão de memória. Era o backup do prontuário 402-B, a prova física do Lázaro-9. Ela gravou a confissão dele em seu celular antes de soltá-lo.

Ela correu, mas Siqueira a esperava nas docas de carga. Ele não estava sozinho; a segurança do hospital fechava o cerco.

— O 402-B é poeira, Beatriz. Entregue isso e sua vida volta ao normal — ele ofereceu, a voz mansa, o tom de quem dita o destino de uma cidade inteira.

— O Lázaro-9 não é cura, é um crime de linhagem — ela respondeu, acionando o alarme de incêndio manual. O caos explodiu: luzes estroboscópicas, sirenes ensurdecedoras e a dispersão dos seguranças. No tumulto, uma coronhada atingiu seu ombro. Ela caiu, sentindo o sangue quente, e seu crachá de auditora deslizou para longe, perdendo-se entre os cabos do subsolo.

Ela emergiu no beco da catedral, o ar gelado da noite cortando sua pele ferida. O relógio marcava 41 horas e 15 minutos. Ela tateou o bolso: o crachá não estava lá. Sem ele, ela era apenas uma intrusa. O uivo das sirenes da polícia local rompeu o silêncio. Não eram ambulâncias. Eram viaturas. Siqueira não estava apenas a caçando; ele estava fechando o cerco da cidade, garantindo que ela nunca saísse dali viva.

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