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Chapter 2: A Primeira Aposta de Sangue

Kaelen vence um duelo de apostas usando a sobrecarga do módulo experimental, garantindo créditos, mas atraindo a atenção perigosa de Vane e revelando a natureza proibida da tecnologia para Sora.

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A Primeira Aposta de Sangue

O cronômetro holográfico sobre a Arena de Combate pulsava em um vermelho agressivo: 02:42. Para Kaelen, não era apenas um contador; era o som do martelo do leiloeiro prestes a cair sobre o 'Ferrugem', sua única herança e, agora, sua única sentença. O oponente, um piloto da casa dos Vane, avançou com um chassi de classe média que reluzia sob as luzes artificiais. O golpe lateral foi pesado, forçando o braço esquerdo do Ferrugem a um guincho metálico que ecoou como um lamento por todo o anfiteatro.

— Desista, sucateiro. Seu tempo acabou — a voz do rival, amplificada pelos alto-falantes, gotejava desdém.

Kaelen ignorou a provocação. Seus dedos, calejados e precisos, dançavam sobre o console, contornando os avisos de superaquecimento que piscavam em âmbar. Ele sentia a vibração estranha vindo do módulo experimental oculto sob o chassi. Não era uma peça de reposição comum; era um núcleo de energia que pulsava em sincronia com seu próprio batimento cardíaco. Ele não tinha dinheiro, não tinha prestígio, mas tinha uma vantagem que o sistema não havia catalogado.

Com um movimento seco, Kaelen bypassou os limitadores de segurança. O Ferrugem estremeceu. Uma descarga elétrica percorreu os circuitos expostos e, por um instante, o ar ao redor do mech cheirou a ozônio puro. O rival, confiante no peso de seu chassi superior, preparou o golpe de misericórdia. Kaelen não recuou. Ele canalizou a carga bruta do módulo para o servomotor do braço direito, sacrificando a integridade estrutural da junta para gerar um torque impossível. O impacto foi brutal. O som do metal forçado além do limite foi abafado pelo estrondo da vitória: o mech do rival foi arremessado contra a barreira de contenção, seus sistemas de energia entrando em colapso total.

A plateia silenciou. O ganho era visível, palpável, mas o custo estava escrito no painel de Kaelen: Integridade do Chassi: 12%. O Ferrugem gemia, o sistema de resfriamento falhando enquanto o módulo experimental irradiava um calor perigoso.

Sora, a mecânica que operava nas sombras da arena, surgiu no convés de manutenção. Suas mãos, sujas de óleo, moviam-se com uma urgência que o resto do Campo ignorava. — Kaelen, sai dessa carcaça agora! O sistema vai entrar em colapso crítico em segundos! — ela gritou, sua voz cortando o barulho das máquinas hidráulicas. Ela não apenas o ajudou a estabilizar o sinal de energia, camuflando a assinatura única do módulo antes que os sensores dos credores varressem o hangar, mas seus olhos, ao tocarem o painel central, perderam a cor.

— Isso não é sucata — ela sussurrou, a voz falhando quando o módulo pulsou em um violeta quase obsceno. — Nenhum sistema de academia usa esse tipo de barramento de dados. É arcaico... e proibido.

Enquanto isso, na Varanda de Comando, o Comandante Vane observava a cena. O silêncio ao seu redor era denso. Ele não tolerava variáveis não calculadas. O Campo de Provas era um relógio de precisão, e Kaelen era a areia que ameaçava travar o mecanismo. — Aquele modelo deveria ter entrado em colapso crítico há três ciclos — murmurou Vane, sua voz desprovida de emoção. — Analise os logs de potência. Ninguém entra neste Campo com uma tecnologia dessas sem ser notado.

O Oficial de Inteligência digitou freneticamente, mas o sinal era errático, como se o núcleo estivesse reescrevendo o fluxo de energia em tempo real. Vane inclinou-se para a frente, a sombra de seu queixo afiado projetando-se sobre o terminal. Ele digitou o número de série que acabara de identificar. O alvo estava marcado.

Sora, na oficina, abriu o painel final do Ferrugem. Ao ver a inscrição oculta nas entranhas da máquina, ela empalideceu. A tecnologia não era desta era, e Kaelen, sem saber, acabara de colocar uma sentença de morte sobre sua própria cabeça.

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