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Chapter 8: A Verdade tem um Preço

Lucas confronta Arantes e descobre que Helena está presa no Nível Zero, um setor sendo inundado pela tempestade. Ele consegue acessar os dados do Protocolo de Otimização de Fluxo, mas o sistema de segurança bloqueia o envio, forçando-o a buscar uma conexão física enquanto o tempo para a purga e a inundação se esgota.

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A Verdade tem um Preço

A água da chuva, misturada ao esgoto industrial, escorria pelas paredes do subsolo como um suor negro. Lucas Menezes pressionou as costas contra o concreto úmido, sentindo o frio penetrar a jaqueta. No visor do relógio, o cronômetro marcava 11:42:00. A purga do sistema não era um processo abstrato; era uma contagem regressiva para o apagamento de evidências — e de pessoas.

O interfone da manutenção estalou, um som metálico que cortou o silêncio do corredor. A voz de Arantes surgiu, desprovida de qualquer oscilação humana.

— Lucas, pare de se esconder nos dutos. O cartão cinza que a Dra. Viana lhe entregou não é um passe de saída. É um rastreador de erro. Você está apenas prolongando o inevitável.

Lucas apertou o cartão contra a palma da mão, as bordas de plástico rígido marcando sua pele.

— Onde ela está, Arantes? — Lucas respondeu, a voz rouca, mas firme.

— Helena é um ativo comprometido. Ela está no Nível Zero, onde a pressão da tempestade já rompeu as comportas. Se você quer que ela respire pelos próximos dez minutos, preciso do Protocolo de Otimização de Fluxo. Agora.

Lucas não respondeu. Ele deslizou o cartão no terminal de contingência escondido atrás de um painel elétrico. A tela brilhou, revelando a planilha que ele temia: uma lista de pacientes marcados para "ajuste" logístico, uma contabilidade macabra de órgãos e leitos. O horror não era um erro do sistema; era o sistema.

Ele tentou iniciar o upload para um servidor externo, mas uma notificação vermelha bloqueou o comando: Conexão bloqueada por filtro de saída. O sistema de segurança, alertado pelo uso do cartão, estava purgando os dados em tempo real. Lucas precisava de uma conexão física direta, e o único acesso estava atrás da porta restrita, vigiada por Marcos.

Ele correu pelo corredor, encontrando o segurança com a arma em punho.

— Saia da frente, Marcos — Lucas disse, sem cinismo. — Eu sei sobre o erro de triagem do mês passado. O hospital apagou o registro, mas o sistema de predição comportamental guardou o seu histórico de buscas. Eles sabem que você tentou salvar aquele paciente. Se eu cair, você é o próximo da lista de purga.

Marcos hesitou, o olhar oscilando entre a câmera de vigilância no teto e o desespero nos olhos de Lucas.

— Se eu abrir, eles limpam a minha vida — o segurança sussurrou.

— Eles já estão fazendo isso. A diferença é que, comigo, você tem uma chance de expor a verdade antes que a água suba.

Marcos destravou a porta. Lucas entrou na sala de monitoramento, mas encontrou apenas o vazio e o som da chuva batendo contra as janelas reforçadas. Arantes não estava lá fisicamente; sua voz vinha dos alto-falantes, fria e onipresente.

— Você escolheu o caminho difícil, Lucas. A água já está na altura dos joelhos no Nível Zero. O sistema de purga vai selar a ala em seis minutos. Entregue os dados ou Helena se tornará apenas mais uma estatística de falha estrutural.

Lucas olhou para o relógio: 05:59:42. O estrondo de uma tubulação rompida ecoou pelo hospital. A água, escura e fétida, começou a jorrar pelas grades do piso, subindo rápido. Ele tinha os dados, mas o preço da justiça era a vida da única pessoa que ousou ajudá-lo.

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