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Chapter 7: O Isolamento

Lucas escapa da quarentena, confronta o segurança Marcos e descobre que Helena foi levada para a ala de acesso restrito. O capítulo termina com Arantes oferecendo um ultimato: os dados em troca da vida de Helena.

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O Isolamento

O ar no subsolo era uma mistura de ozônio, desinfetante vencido e o cheiro metálico de sangue seco. Lucas Menezes não tinha tempo para náuseas. O cartão cinza de Helena, roubado sob o fogo cruzado da vigilância, vibrou na palma de sua mão. Ele o inseriu na fenda do painel de manutenção. O visor piscou em um âmbar doentio antes de liberar a trava magnética da grade de resíduos.

O relógio holográfico em sua retina, sincronizado com o servidor central, pulsava em vermelho: 11:42:03. A purga não era mais uma ameaça abstrata; era uma contagem regressiva para sua própria desintegração sistêmica. Ele se arrastou pelo duto, o metal frio raspando contra seus ombros, enquanto o som da chuva de São Paulo, lá fora, parecia o martelar de um prego em um caixão.

Ele alcançou o terminal secundário e conectou o dispositivo de extração. A tela projetou a verdade: o 'Protocolo de Otimização' não era um erro médico, mas uma diretriz corporativa de alta prioridade. O hospital não salvava vidas; ele as liquidava para ajustar o balanço financeiro. O choque foi um soco, mas a realidade o trouxe de volta: o sistema de segurança, a IA que o perseguia, acabara de selar as saídas de emergência. O lockdown era total.

Lucas forçou a saída do duto, caindo no corredor de serviço do Nível 2. Antes que pudesse se levantar, uma sombra se destacou contra a luz estroboscópica das lâmpadas de emergência. Marcos, o ex-policial que agora servia como cão de guarda de Arantes, bloqueava o caminho.

— Eu vi o seu rastro no sistema, Lucas — a voz de Marcos era um sussurro mecânico. — O diretor sabe da sua falha no resgate de cinco anos atrás. Ele sabe que você não consegue deixar ninguém para trás. É por isso que você vai morrer aqui.

Lucas não respondeu. Ele avançou, usando o bisturi como uma extensão de sua fúria contida. O confronto foi uma dança de desespero e técnica. Quando Lucas finalmente imobilizou Marcos contra o painel, o rádio do segurança chiou no chão:

Unidade de contenção, confirmem: Dra. Viana transferida para a ala de acesso restrito. Ela é a garantia contra a purga. Mantenham-na isolada.

O sangue de Lucas gelou. Helena não era apenas uma aliada; ela era o peão de Arantes. Ele cambaleou até o painel de controle, a dor na costela ferida tornando-se um ruído de fundo. A ala de acesso restrito era uma fortaleza monitorada por sistemas independentes. Ele estava sozinho, marcado para a purga, e o tempo corria.

Ao chegar ao vidro reforçado da ala, ele a viu. Helena estava sentada, os braços cruzados, mantendo uma dignidade que parecia um insulto aos seguranças armados que a vigiavam. Ela parecia ilesa, mas o olhar fixo no vazio denunciava o terror de quem compreendia ser um ativo descartável.

Lucas tocou o painel com o cartão cinza. A voz de Arantes, fria e onipresente, inundou o corredor:

— Eu sabia que você viria, Menezes. Sua necessidade de redenção é previsível. Você tem os dados, mas não tem saída. A purga continua, mas podemos negociar. Entregue a prova, o arquivo que você tanto buscou, e talvez eu permita que a Dra. Viana veja o amanhecer. Caso contrário, vocês dois serão apenas erros de sistema apagados antes das próximas doze horas.

Lucas encarou a imagem de Arantes no monitor. A mão apertou o dispositivo de extração no bolso. O dilema era uma lâmina: a verdade que destruiria o império de Arantes ou a vida da única pessoa que ainda acreditava nele.

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