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Chapter 8: A Assinatura do Medo

Elias Rocha, encurralado pelo lockdown do hospital, descobre que o prontuário 402 é parte de uma fraude milionária envolvendo testes experimentais. Ele obtém a chave privada de Mendes, mas o arquivo de prova permanece criptografado, exigindo a senha de Beatriz. O capítulo termina com Elias pressionando Beatriz enquanto seguranças se aproximam.

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A Assinatura do Medo

O cheiro de borracha queimada no subsolo do Hospital Santa Cecília não era apenas um odor; era uma sentença. Elias Rocha encarou o corte profundo no pneu dianteiro de seu carro, uma incisão cirúrgica feita com precisão. O lockdown, disparado pelos protocolos de segurança, ecoava pelo estacionamento como um sino fúnebre. As travas eletrônicas das saídas de emergência selavam o prédio, transformando o hospital em um aquário de concreto onde o oxigênio parecia rarefeito.

Ele puxou o pen drive do bolso. O metal estava quente, um peso morto que carregava o prontuário 402 — a prova da negligência sistêmica que Mendes tentava incinerar. Com as mãos trêmulas, Elias conectou o dispositivo ao laptop roubado. O cursor girou, a tela brilhou em um vermelho clínico e o erro saltou como uma ofensa: ARQUIVO CORROMPIDO. CHAVE DE CRIPTOGRAFIA DE NÍVEL ADMINISTRATIVO REQUERIDA.

O relógio digital em uma tela de segurança próxima marcava 03:58:12. O tempo não era apenas um número; era o ritmo da sua execução.

Elias precisava de um disfarce. Encontrou Lucas, o técnico de TI, desacordado atrás dos servidores. Com a urgência de quem não tem mais nada a perder, Elias trocou seu casaco pelo jaleco cinza do rapaz e prendeu o crachá no peito. O plástico ainda guardava o calor do corpo de Lucas. Ao subir para o setor administrativo, cada corredor parecia um túnel de vigilância. O hospital não era mais um centro de cura; era um organismo hostil tentando expelir um vírus, e o vírus era ele.

Ao passar por um terminal de rede, Elias arriscou tudo. Inseriu o drive, esperando que uma conexão direta com o servidor forçasse a leitura. O sistema não apenas negou o acesso, mas revelou a extensão da podridão: Mendes não estava apenas escondendo a morte do paciente 402. Ele estava sendo chantageado por investidores externos que financiavam testes de oncologia experimental em pacientes terminais. O prontuário 402 era apenas a ponta de um iceberg de fraude milionária.

Elias chegou à porta do escritório de Mendes exatamente quando o Diretor entrava, acompanhado por um investidor. Elias mergulhou sob a mesa de carvalho, o coração martelando contra as costelas. Do seu esconderijo, ouviu a confissão fria:

— O 402 foi um erro de cálculo, não uma falha estrutural — a voz de Mendes era gélida. — A morte custou milhões em acordos, mas o projeto experimental exige sacrifícios. Se a auditoria encontrar o registro original, todos nós caímos.

Elias, encolhido entre fios e cabos, aproveitou a discussão para hackear o console central. Ele extraiu a chave privada de assinatura digital de Mendes, mas o arquivo de prova no seu drive permaneceu criptografado. A chave de Mendes era apenas a metade do quebra-cabeça; ele precisava da senha de Beatriz para desbloquear o sistema de leitura.

Ele escapou do escritório por uma saída de serviço e correu para uma sala de exames desativada, trancando a porta. O rádio em sua cintura chiou. A voz de Beatriz, cortada pelo medo, respondeu:

— Elias? Eles estão em todo lugar. Se eu te der a senha, eles saberão que fui eu. Você não entende, a senha é o que me mantém viva.

— Se você não me der, ambos morremos — Elias respondeu, a voz rouca. — A prova é inútil sem a sua parte do código. Estamos interligados, Beatriz. Ou enviamos isso agora, ou seremos apagados com o resto dos registros.

O silêncio dela foi a resposta mais aterrorizante que ele já ouvira. Do outro lado da porta, o som de botas táticas batendo contra o piso de linóleo sinalizou que o tempo de negociação havia acabado. Elias olhou para o relógio: 03:58:12. O cerco se fechava, e a verdade, embora em suas mãos, permanecia trancada atrás de uma senha que custaria o sangue de sua única aliada.

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