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Chapter 9: O Último Servidor

Bia infiltra-se na sala de servidores para subir as provas contra Viana. O upload trava em 82% quando Viana corta a energia do setor. Encurralada pelo executor, Bia enfrenta o dilema final: sacrificar a verdade para salvar a vida de Lucas, cuja dívida com o hospital é usada como chantagem.

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O Último Servidor

O ar na galeria de ventilação tinha gosto de metal oxidado e ozônio. Às 05:42, o Hospital Santa Cecília não era um centro de cura; era uma máquina de moer evidências, e Bia Rocha estava presa em suas engrenagens. Ela se arrastou pelo duto, os joelhos em carne viva, até alcançar a grade que dava vista para o coração do sistema: a sala de servidores. Abaixo, o zumbido dos racks era um mantra de urgência. Ela precisava de oito minutos. Apenas oito.

Bia saltou, aterrissando com um baque surdo no piso elevado. O frio da sala era cortante, projetado para processadores, não para humanos. Sem hesitar, ela conectou o pendrive ao terminal principal. O acesso de administrador, um presente amargo deixado por Lucas antes de ser arrastado para fora por seguranças, brilhou na tela. O upload das provas contra Viana — a dosagem letal, o desvio de verbas, a execução do paciente 402 — começou a subir. 82%.

Um som metálico ecoou no corredor. Não eram passos de um vigilante noturno, mas o caminhar rítmico e deliberado de quem não teme ser visto. O auditor. O executor. Bia sentiu o sangue gelar. Ela não tinha mais o celular; ele estava no duto, um peso morto que ela descartara para evitar o rastreamento. Estava isolada.

De repente, o zumbido das ventoinhas morreu. O silêncio que se seguiu foi absoluto, pesado como uma lápide. Viana havia cortado a energia do setor. A escuridão foi total, exceto pelo brilho fantasmagórico da tela, alimentada pela bateria de emergência. A barra de progresso travou em 82%. O sistema de segurança, privado da rede principal, entrou em modo de erro crítico.

— Oito minutos, Beatriz — a voz de Viana veio da entrada, desprovida de qualquer calor humano. — Oito minutos até a purga automática apagar tudo o que você tentou construir.

A porta blindada rangeu, abrindo-se para revelar a silhueta de Viana e o executor, um homem cujas mãos vazias prometiam violência eficiente. Bia recuou para as sombras dos racks, o coração martelando contra as costelas. Ela estava encurralada entre a tela estagnada e o carrasco que se aproximava.

Viana parou diante do terminal, observando o progresso estagnado com um sorriso que não chegava aos olhos. Ele não parecia um diretor clínico, mas um dono de terras inspecionando uma colheita que ele mesmo queimaria.

— Você sempre foi a funcionária mais dedicada — disse ele, a voz ecoando no vazio da sala. — Mas a dedicação sem hierarquia é apenas ruído. Onde está o resto dos arquivos?

Bia não respondeu. Seus dedos tatearam a bancada, buscando qualquer coisa que pudesse servir de arma, mas encontrou apenas o frio do metal. Viana deu um passo à frente, a lanterna do executor varrendo a escuridão e iluminando o rosto pálido de Bia.

— O sistema vai limpar este setor às 06:00 — Viana continuou, sua voz ganhando um tom de negociação cruel. — Você tem uma escolha, Beatriz. A justiça por um paciente que já morreu, ou a vida de Lucas. A dívida dele com este hospital é a única coisa que o mantém respirando. Entregue o HD, e ele viverá para consertar o que você quebrou. Se não, ele será o próximo a ser "auditado".

Bia olhou para a tela. 82%. O tempo corria, e o peso da escolha esmagava sua determinação. Ela tinha a prova, mas o preço era a vida do único aliado que lhe restava.

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