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Chapter 7: A Rede de Mentiras

Beatriz descobre que o hospital lucra com a venda de dados genéticos de pacientes falecidos. Ela chantageia o conselheiro Mendes para garantir sua segurança, mas ao retornar para resgatar Lúcia, descobre que a testemunha foi removida, restando apenas um aviso de que ela foi descoberta.

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A Rede de Mentiras

O alerta de Nível 4 não era um som; era uma vibração que subia pelas solas dos sapatos de Beatriz, um lembrete de que o Hospital Santa Fé não apenas a vigiava, ele a caçava. O crachá clonado, agora inútil, pesava no bolso como uma pedra de chumbo. No visor do relógio, o tempo sangrava: 47:12:05. Cada segundo era uma fatia de sua vida sendo cortada pela administração de Arnaldo.

Beatriz entrou no vestiário dos funcionários, o ar saturado pelo cheiro de desinfetante e suor. Ela trancou a porta, as mãos tremendo enquanto conectava o drive extraído do servidor ao tablet de diagnóstico. A tela iluminou seu rosto pálido, revelando a verdade que o hospital tentara enterrar. Não era apenas o vídeo do Dr. Arnaldo desligando o suporte de vida do magnata com a frieza de quem apaga uma luz. Abaixo do arquivo de vídeo, uma cascata de dados rolava: tabelas de precificação genética. O hospital não era um centro de cura; era um leilão de DNA. Eles vendiam o código genético de pacientes falecidos para seguradoras internacionais. A biopirataria era o verdadeiro motor daquela instituição.

O custo daquela descoberta foi imediato: o sistema de segurança emitiu um pulso de auditoria que bloqueou o terminal de Beatriz. Ela estava cega, mas possuía a arma que derrubaria o bispo e Arnaldo. Ela saiu pelos fundos, a umidade da noite de peregrinação colando sua camisa à pele. Na Praça da Matriz, o Conselheiro Mendes a aguardava sob a luz mortiça dos refletores. Ele parecia um homem que nunca soube o que era ter o nome riscado de uma folha de pagamento, mas Beatriz não lhe deu margem para a covardia.

Ela pressionou o dispositivo contra o peito dele, o metal gelado cortando a tensão do ar.

— Arnaldo não é a única coisa que vou derrubar, Mendes — ela sibilou, a voz firme apesar do pânico. — Eu vi os logs. O hospital está vendendo o DNA dos mortos. Se isso chegar à Polícia Federal, o Santa Fé vira cinzas antes do amanhecer. Você está comigo ou prefere cair com eles?

Mendes empalideceu, o rosto perdendo a cor sob a luz artificial. Ele sabia que o bispo, o garantidor daquela rede, não toleraria falhas. A chantagem era a única corda que mantinha Beatriz pendurada sobre o abismo, mas ela sentia a corda afrouxar. O tempo era o inimigo definitivo.

Ela retornou ao hospital como uma sombra, decidida a resgatar Lúcia antes que a purga do sistema fosse concluída. O visor de um terminal próximo piscava em vermelho clínico: 12:47:19. O hospital estava em 'manutenção de emergência', um eufemismo para a destruição de provas. Ela correu até o quarto 304, mas ao empurrar a porta, o espaço estava vazio. A cama, impecavelmente esticada, não guardava o vinco de um corpo. Não havia remédios, nem o terço que Lúcia sempre mantinha ao alcance. O silêncio no quarto era absoluto, uma ausência que gritava. Um envelope, sem identificação, estava dobrado sob o suporte de soro. Beatriz o abriu com as mãos trêmulas. Dentro, apenas uma linha escrita com uma caligrafia apressada: "Eles sabiam que você viria". O relógio marcou o início das doze horas finais.

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