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Chapter 7: Entrada Proibida

Beatriz extrai os logs financeiros que ligam o Hospital Santa Fé ao Santuário, mas Arnaldo a incrimina por sabotagem, tornando-a uma fugitiva procurada pela mídia local. Ela descobre que o servidor central está fisicamente sob o altar do Santuário.

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Entrada Proibida

O ar dentro da gaveta de refrigeração 4B era rarefeito, um vácuo de frio químico e cheiro de formol. Beatriz Viana pressionou as costas contra a chapa de aço, o metal gelado sugando o calor de sua pele. Do lado de fora, no necrotério, o som de botas táticas contra o granito era um metrônomo de execução. Ela não respirava; contava os segundos.

— Ela não saiu do subsolo — a voz de Arnaldo Siqueira, desprovida de qualquer tremor, ecoou pelo corredor. — Fechem as saídas de serviço. Se necessário, interrompam a energia do setor de patologia. Ninguém sai daqui sem ser identificado.

Beatriz sentiu o suor frio escorrer pela têmpora. Faltavam quarenta e cinco horas e trinta minutos para a auditoria externa. O tempo não era apenas um número; era o cerco se fechando. Com mãos trêmulas, ela ativou o tablet modificado. A luz azulada, um farol na escuridão da gaveta, iluminou o cursor que piscava, teimoso, enquanto ela forçava a entrada no servidor central. Ao romper o firewall, a verdade saltou: os logs do Beta-S não eram registros médicos. Eram fluxos financeiros. O dinheiro do Hospital Santa Fé não circulava; ele era drenado para o subsolo do Santuário, uma lavagem de capitais que sustentava a fé e a corrupção da cidade.

O zumbido dos servidores era um lembrete cruel. Quando o silêncio retornou ao corredor, Beatriz deslizou para fora. Ela se moveu como uma sombra até o terminal de backup, inserindo o pendrive criptografado. O monitor exibiu a hierarquia de arquivos que o hospital tentara enterrar. Beta-S: Logs de Transação Financeira.

Onde ela está? Revistem as câmaras frias. Quero essa mulher fora do meu hospital, morta ou viva, antes que o turno da manhã chegue — a voz de Arnaldo vibrou pelo sistema de som. Ele não buscava uma auditora; ele limpava um erro.

Uma barra de progresso surgiu: 12%... 15%. O sistema de segurança detectou a intrusão e iniciou um protocolo de 'limpeza', deletando os prontuários dos outros três pacientes mortos pelo Beta-S. Beatriz sentiu o estômago revirar. Ela precisava escolher: salvar o log completo ou interromper a deleção. Ela optou pelo log financeiro, sentindo o peso da traição contra o sistema. Ao finalizar, o monitor exibiu em vermelho: Acesso negado. Identidade de usuário: Beatriz Viana, marcada para contenção total. Arnaldo havia plantado evidências de sabotagem em seu perfil. Ela era o bode expiatório.

Beatriz tentou a saída de serviço, mas dois homens de terno bloqueavam o corredor. Ela recuou, escondendo-se atrás de um carrinho de transporte. Em um monitor suspenso, a imagem do noticiário local paralisou seu sangue. O âncora exibia sua foto: Beatriz Viana, auditora, procurada por sabotagem e furto de dados.

Ela olhou para o terminal uma última vez. O mapa de rede, aberto por um milissegundo antes do bloqueio, revelou a verdade final: o servidor central não estava no hospital. Estava fisicamente localizado sob o altar do Santuário. Ela não enfrentava apenas um hospital; enfrentava o poder que sustentava a cidade. Com o cerco apertando, Beatriz correu para a saída de emergência, sabendo que, a partir daquele momento, ela era uma criminosa procurada pela lei e pelo poder local.

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