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Chapter 6: A Sombra do Santuário

Beatriz infiltra-se no subsolo do hospital e descobre que o servidor central está conectado à rede do Santuário, revelando a extensão da lavagem de dados. Ela é encurralada no necrotério por Arnaldo, que ordena sua execução, forçando-a a planejar uma fuga desesperada enquanto o cerco se fecha.

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A Sombra do Santuário

O ar no subsolo do Hospital Santa Fé não era apenas frio; era estéril, carregado com o cheiro metálico de formol e o zumbido constante dos geradores. Beatriz Viana pressionou as costas contra a parede de azulejos, sentindo o suor frio escorrer pela espinha. Faltavam quarenta e cinco horas e trinta minutos para a auditoria externa. O prazo, antes uma meta, agora era um epitáfio.

Passos pesados ecoaram no corredor de serviço. Não eram enfermeiros. Eram os seguranças da diretoria, homens que ela vira circulando o residente Lucas minutos antes dele ser levado. Eles não estavam apenas vigiando; estavam caçando.

Beatriz deslizou pela penumbra até o terminal de manutenção, um painel embutido que o Dr. Arnaldo Siqueira acreditava estar esquecido. Suas mãos, trêmulas, digitaram a sequência de acesso que ela extraíra do prontuário de um cirurgião falecido. O sistema processou a entrada com um clique seco. A tela brilhou, revelando a arquitetura de rede do hospital. O cursor piscava, um metrônomo cruel.

Ela navegou pelos logs. O choque foi imediato: o servidor central não estava no hospital. O Santa Fé era apenas um terminal de entrada. Os dados do Beta-S, a droga experimental que matara o paciente 402, estavam sendo roteados para uma infraestrutura externa. Beatriz seguiu o rastro digital até o destino final: o subsolo do Santuário da cidade. A revelação atingiu seu estômago como um golpe físico. O hospital não estava apenas escondendo erros; estava lavando dados sob o manto da fé, usando o prestígio da estrutura religiosa para blindar a experimentação humana.

O som de passos parou logo atrás da porta metálica. Beatriz não teve tempo de encerrar a sessão. Ela se esgueirou para o necrotério, o único setor onde os sensores de movimento eram desativados para evitar alarmes falsos. O silêncio ali era absoluto, quebrado apenas pelo gotejar de um dreno. Ela se encolheu atrás de um carrinho de aço inoxidável, o metal gelado cortando sua pele através da blusa fina.

A porta rangeu. O Dr. Arnaldo Siqueira entrou, acompanhado por dois homens. Ele não parecia o benfeitor da cidade; seus olhos eram lâminas.

— O residente Lucas não foi cooperativo — a voz de Arnaldo era um sussurro clínico, desprovido de qualquer calor. — Ele acha que a ética médica é um escudo. Se ele não pode aceitar o sacrifício necessário para a manutenção da nossa ordem, ele deve ser removido.

Beatriz viu o reflexo de seus próprios olhos no aço escovado do carrinho. Estava pálida, com a respiração errática. Arnaldo parou diante de uma das gavetas, os dedos tamborilando sobre a superfície metálica.

— E quanto à auditora? — um dos seguranças perguntou.

— Ela está aqui dentro. Sinto o cheiro do desespero dela — Arnaldo respondeu, um sorriso gélido cruzando seu rosto. — Limpem a cena. Não quero que nada, nem ela, nem os prontuários, nem os vestígios do erro 402, cheguem à luz do dia. O Santuário não pode ser maculado. Matem-na.

Ele deu meia-volta e saiu. Beatriz mal respirava. O relógio em seu pulso marcava o tempo restante, mas a contagem agora era irrelevante diante da caçada humana que acabara de começar. O servidor estava no subsolo do Santuário, e ela era a única peça fora do lugar. Com o alarme de perímetro disparando ao longe, Beatriz soube que sua única chance de sobrevivência era levar a verdade para fora daquelas paredes sagradas antes que a caldeira do hospital, ou algo pior, consumisse sua história.

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