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Chapter 8: O Estúdio da Mentira

Bia infiltra-se no estúdio de transmissão do OmniHealth e confronta Viana durante uma live, tentando expor as provas do erro médico de 2014 antes da purga final do sistema.

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O Estúdio da Mentira

O ar nos dutos de ventilação do OmniHealth tinha o gosto metálico de ozônio e poeira. Beatriz Rocha rastejava sobre as grades, cada movimento calculado para não emitir um ruído que atraísse a segurança. Seus dedos, feridos e calejados, apertavam o pen drive com uma força que quase o partia. Faltavam dezessete minutos para a purga definitiva do sistema. Abaixo dela, um segurança de Viana patrulhava o corredor, o rádio chiando ordens sobre sua localização. Bia não era mais uma auditora; era um erro de sistema marcado para ser deletado.

Ela alcançou a junção central. Através de uma fresta, observou a cabine de controle. Léo estava encolhido sob a bancada, as mãos trêmulas sobre o teclado. O Dr. Marcelo Viana estava em cena, impecável, ajustando o microfone de lapela com a precisão de quem ensaiou o próprio funeral. Ele sorria para a câmera, vendendo a imagem do filantropo que salvava vidas enquanto, nos bastidores, sua equipe apagava os prontuários de quem ele condenara. A ironia era uma lâmina: ele vendia a cura enquanto apagava a prova de que o hospital era o veneno.

Bia desceu pela escotilha, caindo silenciosamente no carpete. Léo deu um pulo, o rosto pálido.

— Eu não posso, Bia — sibilou ele. — Eles têm fotos da minha família. Viana me controla desde o óbito de Alberto. Eu não sou um aliado, sou uma peça descartável.

Bia agarrou o colarinho de Léo, forçando-o a olhar para o monitor.

— Se você não fizer isso, seu silêncio não vai proteger ninguém. A purga vai apagar você junto com as evidências. A única forma de sobreviver é tornar a sua morte politicamente impossível.

Ela enfiou o pen drive na entrada USB. O sistema de segurança sibilou um alerta vermelho. O firewall, um organismo digital faminto, começou a devorar os pacotes de dados. O custo de cada tentativa era um pedaço de sua própria conexão; o sistema rastreava a localização física com uma rapidez que a deixava sem margem de manobra.

— Onde você está, Bia? — A voz de Viana ecoou pelo estúdio, não para a câmera, mas para o vazio. Ele parou de falar, como se tivesse sentido a presença dela. Ele olhou diretamente para o vidro acústico da cabine. Bia sabia que ele a via. O contador na parede marcava dez minutos. Ela não esperou. Chutou a porta de vidro, invadindo o estúdio no momento exato em que Viana tentava encerrar a live.

— Eles vão ver o que você fez em 2014, Marcelo — Bia disparou, a voz cortante ecoando pelos microfones abertos.

Viana, sob os refletores, manteve o sorriso gélido.

— Você está atrasada, Bia. A narrativa já foi definida. O público não quer a sua verdade; eles querem a segurança que minha linhagem oferece.

Ele fez um sinal imperceptível para a segurança. Bia conectou o dispositivo de emergência na mesa de som. O firewall reagiu com uma violência digital. O upload travou. O áudio da confissão de Viana começou a falhar, distorcendo-se em um ruído metálico. O silêncio aterrorizante caiu sobre o estúdio enquanto a transmissão oscilava, deixando o público em casa diante de uma tela estática, aguardando o próximo movimento de uma guerra que estava prestes a ser apagada para sempre.

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