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Chapter 5: A Dívida de Sangue

Bia confronta Léo em um café, onde ele confessa sua cumplicidade na morte de Alberto e revela que a enfermeira testemunha está escondida na casa de campo dos Viana. Léo entrega a chave de um locker com provas físicas. Bia recupera o pen drive na ala de TI, mas percebe que foi guiada para uma armadilha de vigilância, tornando-se o alvo principal enquanto o cronômetro da purga avança.

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A Dívida de Sangue

O café de esquina, um antro de luz fluorescente e cheiro de café queimado, parecia vibrar com a urgência que Bia sentia no peito. Ela não se sentou. Léo, com as mãos trêmulas sobre uma xícara intocada, parecia ter envelhecido uma década desde a última vez que se viram na ala de isolamento. O suor em sua testa era o aviso final de que o tempo de ambos estava se esgotando.

— Onde ela está, Léo? — Bia perguntou, a voz baixa, mas cortante como uma lâmina. Ela não precisava de rodeios; o log de 2014, que ela exibia na tela de seu celular, era a prova que ligava o passado ao presente. — O prontuário de Alberto não desapareceu por erro de sistema. Você o apagou porque ele viu o que Marcelo Viana fez com o jardineiro da minha família.

Léo evitou o contato visual, olhando fixamente para a porta de vidro que dava para a rua chuvosa.

— Você não entende, Bia. Eles não apenas apagam arquivos. Eles apagam pessoas — a voz dele falhou, revelando o terror de quem deve a vida a um sistema que não perdoa erros. — A enfermeira que testemunhou tudo... ela não foi demitida. Ela está escondida na casa de campo da família Viana, em Petrópolis. Eles a mantêm sob vigilância constante, como uma carta na manga para o caso de alguém como você aparecer.

Bia sentiu o peso da revelação. O trauma de Alberto, o homem que cuidou de seu quintal até o dia em que Viana o declarou 'clinicamente perdido' por uma complicação que ela agora sabia ser um erro deliberado, não era uma fatalidade, mas um projeto. Léo não era apenas um técnico; ele era o guardião de um cemitério digital, um cúmplice que, ao confessar, acabava de assinar sua própria sentença de morte.

— Por que me contar agora? — Bia pressionou, sentindo o nó em sua garganta.

— Porque eu não aguento mais o peso — Léo sussurrou, mas antes que pudesse continuar, seu celular sobre a mesa vibrou violentamente. Ele pegou o aparelho, os olhos arregalados ao ver a notificação em vermelho vivo: LIMPEZA FINAL INICIADA. PROTOCOLO DE PURGA: 59 MINUTOS.

O ar no café pareceu rarefeito. Bia olhou para o relógio na parede e depois para Léo, que agora parecia um animal acuado. A rede de Viana não era apenas hospitalar; era uma teia que se estendia por cada servidor e cada segurança que vigiava aquele hospital. Ela percebeu, com um calafrio, que Léo não era apenas um aliado, mas um alvo móvel, e ela, ao lado dele, estava na mira de algo muito maior do que uma diretoria clínica.

— O original — Bia exigiu, a voz firme apesar do pânico crescente. — O documento que Viana acha que você destruiu. Onde está?

Léo tateou o bolso interno da jaqueta, retirando um pequeno objeto metálico. Uma chave física, pesada, gravada com um código que ela reconhecia dos cofres de segurança do hospital.

— Está em um locker na rodoviária. A cópia física de tudo. Prontuários, assinaturas, logs de acesso que eu desviei antes da purga. Se eu entregar isso, Viana me mata. Se eu não entregar, ele também me mata.

Bia pegou a chave, sentindo o metal frio contra a pele. O peso daquela prova era a sua única garantia de sobrevivência. Ela precisava sair dali, mas o olhar de Léo, fixo na saída, sugeria que eles já não estavam mais sozinhos. Ela correu para a ala de TI, onde o ar tinha o cheiro metálico de servidores superaquecidos. O pen drive estava escondido atrás do painel de uma placa de rede, um esconderijo que Léo descrevera com precisão cirúrgica. Bia se abaixou, as mãos tremendo. Seus dedos roçaram o plástico frio do dispositivo. Ela o puxou, sentindo o peso da prova que poderia destruir a linhagem de Marcelo Viana.

Ao se levantar, o ambiente mudou. Uma luz vermelha, quase imperceptível, pulsou no canto superior do teto. Não era uma câmera de segurança padrão; era uma lente nova, de alta definição, instalada com um ângulo que cobria exatamente o ponto cego onde ela estava. A percepção atingiu Bia como um soco: ela não estava apenas em um hospital, estava em uma vitrine. Viana não a impedira de chegar até ali; ele a guiara, deixando o caminho livre para que, ao tocar no arquivo, ela assinasse sua própria sentença de culpa por invasão e furto de dados restritos. O corredor, antes vazio, parecia agora estreitar-se, as câmeras girando em uníssono, focadas em seu rosto. Ela estava com a verdade nas mãos, mas o tempo para revelá-la acabara de se tornar o seu carrasco.

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