Novel

Chapter 2: O Preço do Acesso

Bia confronta Léo no CPD para obter o prontuário do leito 402 antes da purga. Léo revela que está sendo chantageado e que a diretoria reduziu o tempo de purga. Ao forçar o acesso, Bia descobre que Léo é cúmplice de ocultações anteriores, e a foto do paciente revela uma conexão direta com o trauma que destruiu a família de Bia.

Release unitFull access availablePortuguese / Português

Internal Links

Browse related catalog lanes

Full chapter open Full chapter access is active.

O Preço do Acesso

O zumbido dos servidores no subsolo do Hospital Santa Cecília não era um ruído branco; era a contagem de um batimento cardíaco moribundo. Bia Rocha observava Léo, cujos dedos tremiam sobre o teclado mecânico, a pele pálida iluminada apenas pelo brilho azulado de múltiplas linhas de comando. O relógio no canto da tela marcava 47:12:05. A purga do OmniHealth não era apenas uma limpeza de arquivos; era uma incineração digital.

— Léo, para de hesitar. Se eles limparem o diretório principal, não sobra nada do leito 402 — Bia sibilou, sentindo o peso do crachá contra o peito como um alvo.

Léo parou, o cursor piscando como um alerta de emergência. Ele girou a cadeira, o suor brilhando em sua testa.

— Você não entende, Bia. O Viana não está apenas monitorando a rede. Ele mudou o protocolo de purga. A diretoria reduziu o prazo pela metade. Se eu abrir o acesso root para você, eles saberão em segundos. E eu já estou pendurado por um fio com as dívidas que eles compraram.

Bia sentiu o estômago revirar. O custo não era apenas o emprego; era a sobrevivência de Léo. Ela se inclinou, invadindo o espaço pessoal dele, a urgência substituindo qualquer traço de diplomacia profissional.

— E quanto a mim? — ela rebateu, a voz cortante. — Eles usam o meu trauma, a morte da minha família, como uma coleira. Se eu não provar que o 402 foi negligência, eu perco a minha licença e, possivelmente, a minha liberdade. Não somos apenas funcionários aqui, Léo. Somos danos colaterais.

Antes que ele respondesse, um alerta vermelho pulsou em todos os monitores. O sistema de segurança do hospital havia sido invadido, não por um hacker externo, mas por um comando interno de nível executivo. A tela exibiu o feed da câmera do próprio CPD. No vídeo, Bia viu a si mesma e Léo, capturados em alta definição, como se estivessem dentro de um estúdio de livestreaming montado para a espetacularização da dor. Viana estava assistindo em tempo real.

Léo soltou um suspiro trêmulo, o rosto perdendo a cor. Ele digitou uma sequência rápida, ignorando os avisos de erro que saltavam pela tela.

— Eu não posso parar a purga, Bia. Mas posso copiar o fragmento para um servidor offline antes que o protocolo apague tudo. Só que tem um custo. Eu fiz isso antes. Quando o primeiro paciente morreu, eu apaguei os registros para eles. Eu não sou um herói, sou cúmplice.

O silêncio no CPD tornou-se claustrofóbico. Bia olhou para a tela, onde o arquivo corrompido finalmente se abriu em uma miniatura: a foto do paciente morto. O mundo pareceu oscilar. O rosto no prontuário não era um estranho; era o homem que ela tentara salvar anos atrás, no erro médico que destruiu seu passado. A caçada não era apenas institucional; era pessoal, e o tempo para a verdade estava sendo devorado pelo sistema que ela jurou auditar.

Member access

Keep reading across novels, comics, and audio.

Preview first. Subscribe when you want the next chapter, episode, or track.

  • Monthly and yearly membership
  • One library for every format
  • Progress and favorites stay synced