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Chapter 8: Chapter 8

A exposição de Léo na mídia força Ricardo a uma demonstração agressiva de poder na escola, enquanto ele confronta Elena com as provas de que ambos foram vítimas da mesma sabotagem familiar. O capítulo termina com a confirmação pública da paternidade, destruindo a fachada do noivado.

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Chapter 8

O silêncio na cobertura de Ricardo não era mais a quietude gélida de um contrato; era a tensão estática de uma bomba prestes a detonar. Ricardo estava parado diante da bancada de mármore, os dedos tamborilando com uma cadência errática sobre o tablet. Na tela, o portal de notícias exibia a manchete que corria como fogo em palha seca: O Herdeiro Oculto da Valente Holdings. As fotos de Léo, capturadas à distância durante a saída da escola, estampavam o topo da página com uma nitidez cruel.

— Eles não tiveram acesso a isso por acaso — a voz de Ricardo era um corte seco. Ele levantou o olhar, e a frieza habitual fora substituída por algo mais perigoso: uma determinação predatória. — Alguém dentro da minha diretoria vazou a rotina dele. Querem expor a sua vulnerabilidade para me desestabilizar.

Elena sentiu o estômago revirar. A dignidade que tentara manter por dois anos, protegendo Léo de qualquer sombra do sobrenome Valente, desmoronava.

— O que você vai fazer? — perguntou ela, a voz firme apesar do pânico.

Ricardo contornou a mesa, parando a centímetros dela. O perfume amadeirado e a imponência de sua presença não eram mais uma ameaça, mas uma muralha.

— Vou garantir que ninguém mais ouse olhar para ele sem permissão. A partir de agora, o silêncio não é um pedido; é uma exigência legal.

Horas depois, o campo de batalha mudou para a escola de elite. A diretora, uma mulher cujos óculos de aro metálico pareciam uma barreira defensiva, não ergueu os olhos do prontuário de Léo.

— A exposição do seu filho tornou a permanência dele um risco à nossa reputação — disse ela, a voz desprovida de empatia. — Os pais exigem uma posição. A escola não pode ser um circo de especulações sobre a paternidade.

Antes que Elena pudesse responder, a porta de carvalho foi aberta sem cerimônia. Ricardo entrou, ocupando cada centímetro da sala. Ele não parecia um noivo de fachada; parecia o dono do mundo decidindo o destino de um peão.

— O único circo aqui é a sua incompetência — disparou ele, colocando um envelope espesso sobre a mesa. — A Valente Holdings acaba de adquirir a fundação que subsidia setenta por cento desta instituição. O conselho mudou. Léo não é um risco; ele é a razão pela qual este lugar ainda tem orçamento para existir. Se houver uma única nota de desaprovação, a fundação retira o aporte antes do almoço.

De volta à cobertura, o ar no escritório de Ricardo cheirava a couro envelhecido e eletricidade. Ele estava de pé diante da janela panorâmica, segurando uma pasta que parecia o peso do mundo.

— O soldadinho de chumbo — começou ele, a voz destilando uma calma perigosa. — Fabricado na Alemanha, descontinuado há vinte e seis meses. O mesmo período em que você desapareceu. O mesmo período em que minha família decidiu que eu era 'instável' demais para comandar a Valente.

Ele girou, abrindo o dossiê. Fotos e extratos bancários deslizaram pela madeira polida: provas de transferências negadas, contratos de aluguel cancelados por ordens de seu pai, um isolamento sistemático que a deixara sem recursos.

— Descobri quem financiou o seu sumiço — ele disse, os olhos fixos nela. — Por que não me procurou? Por que deixou que eles nos quebrassem?

Elena sustentou o olhar, a dor de dois anos de silêncio finalmente encontrando uma saída.

— Porque se eu tivesse voltado, Léo seria o primeiro alvo daquela guerra. Eu escolhi o anonimato para que ele tivesse uma infância, não um alvo nas costas.

Ricardo, o homem que sempre exigia controle, pareceu vacilar. Ele percebeu que, naquele jogo de xadrez, ela sacrificara a própria vida para salvar o que ele mais desejava, mas ainda não admitia possuir.

No entanto, o destino não lhes daria trégua. Uma notificação no tablet de Ricardo brilhou. A imprensa havia cruzado os dados: a semelhança entre Léo e Ricardo era, agora, um fato público, corroborado por ângulos fotográficos que não deixavam margem para dúvidas. O contrato de noivado, a fachada de conveniência, tudo estava ruindo sob o peso da verdade biológica.

Ricardo olhou para a imagem do filho no tablet, depois para Elena. O noivado de fachada estava morto. A guerra, porém, estava apenas começando.

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