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Chapter 2: Diagnóstico sob Pressão

Lucas tenta intervir com precisão no colapso de Heitor Mendonça por intoxicação organofosforada, mas Ricardo o impede fisicamente e ordena que o expulsem, preferindo sacrificar o magnata (e o contrato vital) a permitir que o sobrinho desprezado o salve. Beatriz força uma brecha ao confrontar Ricardo publicamente. Lucas consegue administrar a primeira dose de atropina apesar da resistência, e o ritmo cardíaco começa a se recuperar, mas Ricardo avança novamente para interromper a segunda injeção, escalando o confronto para risco iminente de fracasso.

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Diagnóstico sob Pressão

O salão ainda ecoava o silêncio que se seguiu ao colapso de Heitor Mendonça. Dezenove minutos desde o primeiro espasmo. O magnata estava agora deitado de costas no tapete persa, tórax subindo em movimentos rasos e desesperados, pupilas fixas em miose extrema, espuma branca escorrendo pelo queixo. O cheiro acre de inseticida organofosforado impregnava o ar ao redor dele.

Lucas atravessou o círculo de corpos paralisados em quatro passos largos e se ajoelhou. Dois dedos na carótida: pulso 42 bpm, irregular, fraco. Sudorese profusa encharcava a camisa de linho. Cianose já avançava nas unhas.

— Atropina 2 mg IV agora — disse ele, voz baixa, sem erguer o olhar. — E pralidoxima 1 g. Vocês têm menos de quatro minutos antes da parada.

Ricardo Viana avançou como um touro, rosto congestionado.

— Tire as mãos dele, seu verme. — Agarrou o ombro de Lucas com força bruta. — Você não é nada aqui.

Lucas não resistiu de imediato. Continuou avaliando: bradicardia acelerando para colapso, diafragma paralisando. Contou mentalmente: noventa segundos até apneia total.

Com um giro seco de ombro, livrou-se do aperto e empurrou Ricardo para trás. Dois seguranças já o flanqueavam, torcendo seus braços com técnica treinada.

— Levem esse lixo para fora — ordenou Ricardo, dedo apontado como faca.

O cardiologista da família injetava mais atropina, mãos trêmulas. O monitor portátil ao lado do corpo emitia bipes cada vez mais espaçados. O jovem residente ao lado dele desviou o olhar, suor escorrendo pela têmpora. Sabia. Todos os médicos ali sabiam que a atropina sozinha não bastava.

— Pralidoxima — repetiu Lucas, voz atravessando o salão como bisturi. — Ou estão apenas prolongando a agonia para fingir que tentaram.

Ricardo virou-se para o cardiologista.

— Ignore ele. Continue.

Beatriz Lacerda, três passos à esquerda, observava com braços cruzados. Seus olhos não piscavam. Pela primeira vez naquela noite, o desdém educado havia sido substituído por algo afiado: cálculo frio, interesse clínico.

O monitor mudou para tom contínuo. Linha quase reta. Mendonça parou de respirar.

O silêncio do salão ficou absoluto.

Lucas contou: setenta segundos para dano cerebral irreversível.

— Soltem ele — disse Beatriz, voz seca cortando o pânico. — Ou amanhã você explica para os acionistas por que enterrou dezessete milhões e a salvação da sua empresa.

Ricardo tentou se virar para ela, mas Beatriz já havia avançado e agarrado seu pulso com força inesperada.

— Sai da frente, Ricardo.

Os seguranças hesitaram. Olhares saltando do patriarca para o corpo imóvel, para o contrato que morria junto com Mendonça. A lealdade rachou visivelmente.

Lucas não esperou permissão. Ajoelhou-se de novo, rasgou a manga da camisa do magnata, expôs a veia. Abriu a maleta preta que carregava sob o paletó e retirou a seringa preparada — atropina 2 mg.

— Última chance, tio — disse ele, sem alterar o tom. — Autoriza ou assiste a falência dos Viana ser assinada em cianose.

Ricardo avançou, punho erguido.

— Prefiro enterrar o contrato a deixar você tocar nele.

Lucas encaixou a agulha com precisão cirúrgica. O líquido claro desceu pela veia.

Ricardo tentou derrubá-lo com um soco. Os seguranças, agora divididos, seguraram o patriarca pelos braços. Ele debateu-se, rosto roxo.

— Soltem-me! Ele é um fracassado!

Lucas terminou a injeção, retirou a seringa e já preparava a pralidoxima. Seus olhos fixos no monitor.

O silêncio era sepulcral. Celulares ainda gravavam. A elite que rira da humilhação de Lucas minutos antes agora assistia, muda. O deboche havia virado choque. O cálculo frio substituía o riso.

Beatriz soltou o braço de Ricardo e recuou um passo, olhos fixos em Lucas como se finalmente enxergasse o homem por trás da máscara que a família tentara colar nele.

O monitor deu um bipe isolado. Depois outro. E outro. Ritmo voltando, hesitante.

Mas Ricardo, enlouquecido, conseguiu se soltar de um segurança e avançou de novo, tentando agarrar o pulso de Lucas exatamente quando ele erguia a segunda seringa.

— Não! — berrou, voz quebrada de ódio e desespero. — Prefiro ver ele morto a ser salvo por você!

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