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Chapter 7: O Sótão das Memórias

Beatriz descobre que Mariana era a arquiteta do esquema de corrupção familiar e encontra a chave do cofre central escondida em um brinquedo. Helena a confronta no sótão, confirmando que o testamento será a ferramenta final para silenciar qualquer dissidência. Beatriz descobre uma rota de fuga secreta atrás do painel de madeira, preparando-se para o confronto final enquanto o prazo de 24 horas entra em sua fase crítica.

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O Sótão das Memórias

O ar no sótão da Mansão Viana não era apenas viciado; era um arquivo de crimes. Beatriz sentia o peso de cada tábua sob seus pés, cada uma escondendo uma fração da podridão que Mariana, sua prima desaparecida, documentara com precisão cirúrgica. O relógio da catedral, lá embaixo, soou a primeira badalada da noite. Um som metálico, frio, que cortava a umidade da mansão como uma lâmina. Faltavam exatamente vinte horas para a leitura do testamento, o momento em que a ausência de Mariana seria selada pela lei e o império Viana passaria, sem contestação, para as mãos de Helena.

Beatriz não estava mais apenas lendo um diário; ela estava decifrando um mapa de guerra. As páginas finais, manchadas de tinta e desespero, revelavam a verdade que a família tentara enterrar: Mariana não fora uma vítima passiva. Ela era a arquiteta. Cada suborno registrado no livro-razão, cada desvio de verba que ligava o clã a autoridades locais, fora orquestrado por ela. Mariana não fugira por fraqueza; ela tentara implodir o sistema de dentro para fora, usando a própria corrupção da família como combustível para a destruição de Helena.

“O livro-razão é a isca, Beatriz”, dizia a caligrafia errática de Mariana. “Eles acham que eu era a ovelha. Eu era o lobo que aprendeu a usar a coleira deles para estrangular o dono.”

O pânico de Beatriz foi substituído por uma clareza gelada. Ela tateou a caixa de música de metal, um brinquedo de infância que parecia inofensivo sob a luz fraca da lanterna. Com a ponta de uma presilha de cabelo, forçou a base falsa. Um clique seco ecoou. Dentro, envolta em veludo puído, estava uma chave de latão. Não era apenas uma chave; era o acesso ao cofre central, o lugar onde Mariana guardara a prova final que tornaria a retaliação de Helena impossível.

O som de saltos firmes contra a madeira da escada interrompeu o silêncio. Helena estava subindo. Beatriz mal teve tempo de deslizar o diário e o livro-razão para o compartimento oculto atrás do painel de madeira, cobrindo-o com uma manta empoeirada, antes que a porta se abrisse com um estrondo.

Helena entrou, vestida de preto, a silhueta recortada pela luz do corredor. Seus olhos, frios e calculistas, varreram o sótão com a precisão de quem busca uma presa.

— O isolamento é um excelente professor, Beatriz — a voz de Helena era um sussurro aveludado, carregado de uma ameaça que não precisava ser gritada. — Você tem algo que pertence à família. Algo que, nas mãos erradas, pode causar um dano irreparável a pessoas que você deveria proteger.

— Proteger quem? — Beatriz perguntou, a voz firme, apesar do tremor em suas mãos escondidas nos bolsos. — A senhora ou o império de subornos que Mariana montou com o nosso sobrenome?

A máscara de Helena vacilou. Por um segundo, a matriarca pareceu envelhecer décadas, a piedade religiosa dando lugar a uma fúria crua. O som da chuva contra as janelas aumentou, um tamborilar constante que parecia marcar o tempo que se esgotava.

— Mariana era uma criança mimada que não entendia o peso do nome que carregava — Helena respondeu, aproximando-se. — Se você acha que esse diário lhe dá poder, está enganada. O testamento que será lido amanhã não é apenas sobre dinheiro. É sobre a destruição pública de qualquer um que desafie o clã. Se você não me entregar o que encontrou, o nome Viana será limpo à custa do seu futuro. Você será a próxima a desaparecer da história desta cidade.

Helena deu meia-volta, deixando o ar carregado de veneno. Assim que a porta se fechou e a tranca girou, Beatriz correu até o painel. A chave encaixou perfeitamente na fresta da parede. O painel cedeu, revelando uma escada de serviço estreita, um caminho que levava ao exterior da mansão.

Beatriz olhou para o diário uma última vez. Mariana não era uma vítima; ela era a peça central de um mecanismo de autodestruição que estava prestes a ser disparado. Enquanto os sinos da catedral soavam a meia-noite, sinalizando o início do prazo final, Beatriz percebeu que a verdadeira caçada apenas começara: ela não precisava apenas escapar, precisava expor a verdade antes que o testamento fosse lido e o clã Viana se tornasse intocável para sempre.

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