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Chapter 7: O Preço da Lealdade

Lívia foge da mansão durante uma invasão policial forjada por Rafael, levando o livro-caixa. Ela busca refúgio com a Delegada Marta, que revela ser uma ex-vítima dos Valença. Juntas, descobrem que Álvaro Salles está drenando o dinheiro da família para o exterior em tempo real, utilizando a senha 'B.V.' encontrada no livro-caixa.

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O Preço da Lealdade

O som da coronha de uma arma batendo contra o mogno da porta principal da Mansão Valença não era um ruído de serviço; era um anúncio de execução. Lívia sentiu o estômago revirar. O cheiro de mofo e cera de assoalho — o odor da decadência que ela sempre tentou ignorar — agora parecia impregnado em suas próprias roupas. Rafael não esperaria o trâmite legal; ele havia transformado a polícia em seu braço particular de limpeza.

— Polícia Civil! Mandado de busca e apreensão! — a voz do outro lado era metálica, desprovida de qualquer hesitação.

Lívia correu para a biblioteca, o livro-caixa pesado contra o peito, o couro frio pressionando sua pele. Cada passo no corredor parecia ecoar a contagem regressiva: cinco dias. Cinco dias até que a falência dos Valença fosse enterrada junto com o registro de óbito forjado de Beatriz. Se encontrassem o livro, a prova da fraude se tornaria o álibi perfeito para a família. Ela alcançou a mesa de Álvaro Salles e, com dedos trêmulos, abriu a página do prontuário médico que escondera no bolso interno. A sigla 'B.V.' não era apenas um nome; era a chave. Ela digitou a sequência numérica em seu celular, o coração martelando contra as costelas enquanto a conexão oscilava.

Um estrondo violento sacudiu a casa. A porta principal cedeu. Lívia não esperou para ver os uniformes que invadiam o hall. Saltou pela janela da biblioteca, caindo na grama úmida, o livro-caixa comprimido sob o braço como um escudo. O silêncio da noite foi cortado pelo grito de um agente ao notar a janela aberta, mas ela já estava na escuridão do jardim, correndo em direção à cerca dos fundos. Ela não tinha mais casa; tinha apenas o peso da verdade e o relógio correndo contra si.

O refúgio de Marta Nogueira, nos arredores da cidade, tinha o cheiro de terra molhada e desinfetante barato. Não havia nada da sofisticação decadente da mansão, mas era um aviso muito mais direto: perigo. Lívia sentou-se à mesa de fórmica, o coração batendo um ritmo frenético.

— Você parece alguém que viu um fantasma, Lívia — disse Marta, sem desviar os olhos de uma pilha de prontuários. — Ou alguém que sabe demais sobre quem a criou.

Lívia empurrou o livro-caixa sobre a mesa.

— Rafael não está apenas tentando me silenciar. Ele está esvaziando o cofre antes que a falência seja pública. Se eu entregar isso agora, perco minha única alavanca. O que você ganha com isso, Marta?

Marta suspirou e deslizou uma pasta amarela para a frente. Dentro, não havia apenas documentos, mas provas de que a delegada também fora usada como bucha de canhão em uma operação antiga dos Valença.

— Eu perdi minha carreira por causa deles, Lívia. Agora, vamos ver o que eles estão escondendo.

No escritório, o ar estava denso, carregado com o zumbido de uma impressora laser. Lívia observava as pilhas de documentos bancários crescerem. Cada folha era uma prova de que a fortuna dos Valença não passava de um castelo de cartas erguido sobre dívidas impagáveis.

— Eles estão limpando o que resta — disse Marta, a voz rouca. — O Dr. Álvaro está executando as últimas transferências offshore agora mesmo. É uma corrida contra o tempo.

Lívia sentiu um frio gélido percorrer sua espinha. O prazo, antes uma ameaça, agora era um laço apertando sua garganta. Marta digitou uma sequência rápida e uma janela de acesso bancário surgiu. O campo de autenticação exigia a senha 'B.V.'.

— Beatriz não deixou isso por acaso — murmurou Lívia, digitando os números.

A tela piscou, revelando o saldo de uma conta fantasma: milhões sendo drenados para uma conta em paraíso fiscal em tempo real. O nome de Álvaro Salles brilhava na tela como uma sentença de morte. A transferência estava acontecendo naquele exato segundo. Se não a interrompessem, o rastro do dinheiro desapareceria para sempre, e com ele, a única chance de salvar Beatriz.

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