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Chapter 6: A Farsa da Herança

Lívia descobre que a fortuna dos Valença é uma farsa e que a família está falida. Ela confronta Rafael e Álvaro Salles com a prova da fraude, mas percebe que a dívida familiar é uma armadilha que a incriminará se for revelada. O capítulo termina com a chegada da polícia, reduzindo o prazo de Lívia para cinco dias.

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A Farsa da Herança

O zumbido no bolso de Lívia não era apenas uma notificação; era o som de sua reputação sendo desmantelada em tempo real. "A Herdeira Instável", "O Surto de Lívia na Clínica". Rafael não estava apenas vencendo a disputa; ele estava reescrevendo a realidade. Trancada no banheiro de serviço da UTI, Lívia sentia o azulejo gelado contra a nuca, uma âncora física enquanto o mundo lá fora a pintava como uma lunática.

Ela conectou o celular ao Wi-Fi da clínica, ignorando o alerta de rastreamento que piscava em vermelho. O tempo era um luxo que ela não possuía. Nove dias. O prazo para o óbito forjado de Beatriz era um martelo suspenso sobre sua cabeça. Com os dedos travados pelo frio, ela inseriu a senha que Beatriz sussurrara: B.V.

A tela brilhou. Não havia fortuna. A conta principal, o cofre que deveria sustentar o império Valença, não passava de um buraco negro financeiro. Números negativos em cascata, dívidas astronômicas disfarçadas por manobras contábeis complexas. Eles não protegiam um legado; eles escondiam o cadáver de uma falência que, se revelada, destruiria a todos.

Lívia saiu do banheiro, o prontuário dobrado no bolso como uma lâmina. No quarto 402, a luz branca e estéril revelava Beatriz, pálida, respirando por aparelhos que Rafael mantinha apenas para sustentar a farsa do "tratamento humanitário".

— Eu sei que você está aí, Bia — sussurrou Lívia, a voz cortante. — Rafael está falido. Ele está usando o seu desaparecimento para forçar uma sucessão antecipada. Ele quer que eu herde a dívida, não o império.

Beatriz não respondeu, mas seus olhos, fixos e lúcidos, travaram no prontuário. Quando Lívia mencionou o nome de Álvaro Salles, a mão da irmã, antes inerte, fechou-se sobre o pulso de Lívia com uma força desesperada. Beatriz apontou para a assinatura no documento de custódia. Não era a autorização de um médico; era a rubrica de Álvaro, o guardião da lei, selando o destino de Beatriz com uma fraude cartorial.

O monitor cardíaco apitou, um som estridente que denunciou a aproximação de seguranças no corredor. Lívia recuou, deixando a irmã para trás, mas levando a prova que mudava tudo. Ela não era mais a ovelha negra; era a única pessoa que sabia que a família Valença era um castelo de cartas prestes a desmoronar.

Lívia escapou pela rota de serviço, ignorando o corte na palma da mão ao escalar a mureta de pedra. A mansão, antes um símbolo de poder, agora parecia um mausoléu. Ao entrar na biblioteca, encontrou o armário de arquivos escancarado. Rafael já havia iniciado a limpeza, mas, sob a moldura da porta, um canhoto de retirada bancária jazia esquecido. Era o elo final: uma transferência para uma empresa laranja, datada de ontem. A fuga de capital estava acontecendo sob o nariz de todos.

Ela encontrou Rafael e Álvaro Salles no gabinete jurídico, revisando papéis com a calma de quem acredita estar acima da lei. Lívia jogou o livro-caixa sobre a mesa de mogno. O baque foi seco, definitivo.

— O jogo acabou — disse ela, a voz firme. — Eu vi o prontuário. Eu vi a assinatura de Álvaro. Vocês não estão protegendo uma herança; estão tentando enterrar uma dívida que engoliria esta cidade.

Rafael levantou-se lentamente. O rosto era uma máscara de profissionalismo, mas a pulsação em sua têmpora o traía.

— Você não faz ideia do que está segurando, Lívia — ele disse, a voz baixa, perigosa. — Se você abrir esse livro, não estará apenas destruindo a mim ou ao Álvaro. O nome na capa desse livro é o mesmo que está na sua certidão de nascimento. Você está segurando a sua própria sentença de morte.

Lívia sentiu o peso do livro-caixa. A falência não era apenas um segredo; era a armadilha final. Se ela não tornasse a verdade pública, o enterro da família seria, literalmente, o dela. Enquanto ela recuava, o som de sirenes rompeu o silêncio da noite. A polícia estava a caminho, e o cerco se fechava. Cinco dias restantes.

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