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Chapter 6: Chapter 6

Arthur confronta Salles no armazém portuário, usando a chave do cofre e provas de uma falsificação digital de Sotto para forçar uma aliança forçada. Salles, acuado pelo ultimato de Sotto, hesita diante da oferta de sobrevivência de Arthur.

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Chapter 6

O ar no armazém 14 era denso, impregnado pelo cheiro de maresia e óleo diesel, um contraste brutal com o mármore estéril da sede da Valente Holding. Arthur Valente não buscava conforto ali; buscava a verdade que o concreto polido da diretoria tentava esconder. Sobre a mesa de carvalho, marcada por décadas de assinaturas, repousavam os ledgers de 1998. Eram o alicerce da fraude de Ricardo Salles, e hoje, a sentença de morte do CEO interino.

O silêncio foi rompido pelo estalo metálico de um ferrolho sendo puxado. Não era o som de negócios, mas de uma execução.

Helena Valente estava parada à entrada, a postura reclusa de viúva substituída por uma rigidez predatória. Ela não olhou para Arthur, mas para a escuridão do cais.

— Salles não vai esperar o amanhecer, Arthur. Ele sabe que a auditoria é a guilhotina. Ele enviou os homens dele. Estão contornando a segurança do armazém.

Arthur não desviou os olhos dos registros. Ele girou o anel de sinete da família, sentindo o peso do metal — a única herança que Salles não conseguira confiscar. A pressão não era apenas física; era o estrangulamento de uma linhagem que Salles tentava apagar antes que o sol nascesse.

— Ele não quer apenas me eliminar, Helena — respondeu Arthur, a voz desprovida de pânico. — Ele quer o cofre. Sem a chave física que você me entregou, Salles não consegue incinerar os contratos de submissão que ligam a nossa holding a V.M. Sotto. Se ele obtiver essa chave, ele apaga a evidência e transfere a culpa da auditoria para mim.

As portas de metal rangeram, cedendo sob um impacto violento. Ricardo Salles entrou, ladeado por dois seguranças. O CEO, antes impecável, parecia ter envelhecido uma década; seu terno italiano estava amarrotado, e o tique nervoso no olho esquerdo denunciava um homem caçado pelo próprio sistema. Salles bateu a palma da mão sobre a mesa, fazendo a poeira dançar na luz fraca do abajur.

— Você não deveria estar aqui, Salles — disse Arthur, sem se levantar. — A auditoria é ao amanhecer. O seu tempo na diretoria está contado em horas.

— O Sotto quer o que está nesse cofre — sibilou Salles, a voz rouca de desespero. — Ele não vai esperar. Se eu não entregar, eu sou o próximo a ser apagado. E você… você é apenas um obstáculo que ele vai atropelar antes do café da manhã.

Helena deu um passo à frente, sua presença eclipsando a dos seguranças.

— O seu erro, Ricardo, foi achar que o meu filho jogava o seu jogo — a voz dela cortou o ar. — Ele não está tentando vencer a votação. Ele está desmontando a estrutura que permite a sua existência.

Arthur retirou do bolso a chave física do cofre pessoal de Salles. O metal brilhou sob a luz. Ele não recuou. Em vez disso, deslizou um tablet sobre a mesa, exibindo o rastro digital da última transferência de Salles para contas em paraísos fiscais — um movimento que Sotto consideraria traição suprema.

— Você não está aqui por Sotto, Ricardo. Você está aqui porque ele já te descartou. Ele te deu a ordem de 'limpar a casa' para que você se tornasse o único culpado quando a auditoria revelar o rombo de 98 — Arthur falou, sua voz carregada pela precisão de quem domina o terreno. — Mas e se a assinatura na ata da diretoria, a que validou o desvio, não fosse sua, mas uma falsificação grosseira feita pelo próprio Sotto para te incriminar? Eu tenho a prova técnica de que esse documento foi adulterado digitalmente. Você tem duas opções: morrer como o bode expiatório de Sotto, ou me entregar o acesso ao servidor central agora. Eu garanto que você saia desse porto vivo e com um álibi blindado.

Salles paralisou. O desespero em seus olhos deu lugar a uma dúvida paralisante. Ele olhou para a chave na mão de Arthur e depois para o tablet. O silêncio no armazém era absoluto, pesado com a promessa de uma virada de mesa que mudaria o destino da Valente Holding para sempre.

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