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Chapter 9: Sombras do Passado

Arthur descobre que seu mentor, Alberto, foi o verdadeiro arquiteto da queda dos Valente e o carcereiro de seu pai. Após confrontá-lo no restaurante, Arthur revela que desmantelou as finanças de Alberto e preparou uma armadilha social onde as provas da traição de Alberto serão expostas para a elite da cidade.

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Sombras do Passado

O escritório do Restaurante Valente cheirava a madeira velha e ao metal frio da faca que Arthur mantinha sobre a mesa. Dona Helena, com as mãos trêmulas, empurrou o registro contábil final em direção a ele. O papel, amarelado pelo tempo, não era apenas um documento; era a sentença de morte de uma farsa de vinte anos.

Arthur abriu a pasta. Seus olhos percorreram as linhas de crédito e as assinaturas falsificadas. O nome que saltou da página não foi o de Marcos Viana, mas o de Alberto — seu mentor, o homem que o ensinara a temperar o aço e a controlar o fogo. A traição não fora um acidente de percurso; fora o projeto arquitetado para manter o pai de Arthur, o verdadeiro herdeiro da linhagem, trancado em um complexo fortificado na zona rural, enquanto a família Valente era reduzida a cinzas.

— Ele sabia de tudo — murmurou Helena, a voz falhando. — Ele nos observava definhar enquanto administrava o espólio.

Arthur não respondeu. Ele tocou a cicatriz no antebraço, o lembrete físico de uma vida de combate que ele tentara esconder sob o avental. A humilhação que sofrera nos últimos meses, as ordens de despejo, os leilões fraudados — tudo fora orquestrado por Alberto para garantir que o "Dragão" permanecesse domesticado.

O som de passos firmes no corredor interrompeu o silêncio. A porta do escritório abriu-se sem aviso. Alberto entrou, vestindo um terno impecável que contrastava com a simplicidade rústica do restaurante. Ele não parecia um invasor; parecia o dono do lugar.

— O serviço está lento, Arthur — disse Alberto, os olhos fixos na cicatriz exposta no pulso do rapaz. O sorriso do mentor vacilou, transformando-se em uma máscara de desdém calculada. — Vejo que a marca do seu pai ainda está aí. Achei que você tivesse aprendido a esconder suas fraquezas.

Arthur levantou-se, a calma em seus movimentos era mais perigosa que qualquer grito. Ele não era mais o cozinheiro subestimado. Ele era o homem que, horas antes, havia drenado as contas offshore de Alberto, paralisando a segurança do complexo onde seu pai estava mantido.

— O jogo de máscaras acabou, Alberto — respondeu Arthur, a voz baixa e cortante. — Você não veio aqui para cobrar o serviço. Veio porque sua rede de proteção começou a ruir. A fatura de vinte anos atrás venceu hoje.

Alberto deu um passo à frente, mas parou ao notar que o restaurante estava vazio. Não havia clientes, apenas o silêncio pesado de uma armadilha fechada. Arthur caminhou até a cozinha e pegou uma faca de chef, limpando-a com um pano de linho. Ele não precisava de guardas; ele tinha a verdade.

— Você é apenas um peão que esqueceu o lugar — zombou Alberto, embora o suor frio em sua testa traísse sua confiança.

— Peões são sacrificados — Arthur sorriu, um gesto sem calor. — Reis, por outro lado, exigem um banquete. E hoje, o prato principal é a sua queda.

Arthur apontou para as mesas do salão. Em cada uma, sob uma tampa de prata, estavam as provas documentais da traição de Alberto e de seus associados. A hierarquia da cidade, construída sobre o sangue dos Valente, estava prestes a ser demolida. O mentor traidor olhou para as mesas, percebendo que cada convidado que ele esperava encontrar ali seria, na verdade, um juiz de sua própria ruína. O banquete de vingança estava servido.

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