Chapter 11
O monitor cardíaco na UTI do Hospital Viana não emitia apenas um som; era a contagem regressiva da dinastia. Roberto Viana, o homem que erguera um império sobre as ruínas da família de Lucas, tentou se erguer, mas o corpo, traído pela própria biologia, colapsou contra o leito. Seus olhos, injetados de ódio, focaram no único homem que ele sempre tratara como um estorvo administrativo.
— Saia daqui, bastardo — sibilou Roberto, a voz um ruído metálico contra a máscara de oxigênio. — Ninguém deu autorização para você tocar em mim.
Lucas não recuou. Ele não precisava de autorização; ele detinha o controle clínico e, por extensão, a vida do patriarca. Com a frieza de quem calibra uma arma, Lucas ajustou o fluxo da bomba de infusão. O efeito foi imediato: a frequência cardíaca de Roberto oscilou, o pânico brilhando em suas pupilas como uma sentença de morte.
— Você não está em posição de dar ordens, vovô — disse Lucas, a voz baixa, cortante. — Eduardo tentou esconder a ficha, mas eu vi a dosagem real. Se eu soltar essa trava agora, seu coração para em segundos. Você é um homem inteligente. Sabe que a sua sobrevivência tem um preço, e ele não é pago com dinheiro, mas com a verdade sobre o que aconteceu há vinte anos.
O patriarca tentou erguer uma mão trêmula, um gesto de autoridade que se perdeu em espasmos. Ele estava preso à vontade daquele que ele mesmo humilhara.
No corredor da ala executiva, a tensão era palpável. Beatriz aguardava, a fachada de herdeira impecável trincando sob a pressão do conselho em colapso. Quando Lucas surgiu, ela o interceptou, o desespero vencendo a etiqueta.
— O conselho está em pânico, Lucas. Eduardo foi exposto, mas os acionistas querem a liquidação imediata da holding — ela sussurrou, as mãos entrelaçadas. — Se meu pai morrer agora, o fundo rival assume tudo.
Lucas a encarou, a intensidade em seus olhos forçando-a contra a parede fria. — A cumplicidade tem um custo, Beatriz. Sei que você sabia da sabotagem. Mas aqui está o seu bilhete de saída: entregue-me o acesso ao servidor privado do Eduardo. Se eu tiver as provas da fraude, eu neutralizo o conselho. Se não, o império cai com o Roberto.
Beatriz hesitou apenas um segundo antes de entregar um pendrive prateado. Era a chave para o reino.
Lucas não teve tempo para celebrações. Na cafeteria privada, um representante do Fundo Sovereign o esperava. O homem empurrou uma pasta de couro sobre a mesa, os olhos frios como o dinheiro que representava.
— A presidência é sua, Doutor Lucas — disse o investidor. — A Viana Holding está em frangalhos. Eduardo já assinou a renúncia. Só precisamos que o patriarca... expire. Deixe a natureza seguir seu curso e você será o dono do futuro desta família.
Lucas olhou para a pasta. Dentro, o documento garantia o poder absoluto que ele sempre almejara, o controle total sobre os ativos que destruíram sua linhagem. Era a vingança pura, sem o peso de salvar o carrasco.
Ele retornou à UTI, o documento pesando no bolso como um veredito. A equipe médica, liderada por um residente que tentara humilhá-lo dias antes, tentou barrar sua entrada. Lucas apenas exibiu o tablet com o histórico de erros médicos que ele corrigira. O silêncio que se seguiu foi absoluto. Ele se aproximou do leito, onde Roberto o observava, exausto e derrotado.
Lucas ajustou a medicação, estabilizando o pulso do patriarca. Ele tinha o poder de salvar o homem que o destruiu ou de deixá-lo morrer para herdar as cinzas. Beatriz observava da porta, esperando pela decisão que mudaria a história de São Paulo. Lucas olhou para o monitor, depois para o documento no bolso, e por fim para Roberto. A guerra real estava apenas começando, e ele acabara de escolher o seu posto de comando.