Chapter 12
O monitor cardíaco da UTI do Hospital Viana não emitia um som de vida; era o metrônomo de uma falência iminente. O ritmo irregular de Roberto Viana, outrora o pulso da autoridade absoluta em São Paulo, oscilava como um gráfico de ações em colapso. Lucas observava a tela, os dedos tamborilando a lateral da mesa de cabeceira com a precisão de quem contava os segundos para o xeque-mate. No bolso de seu jaleco, o pendrive com as provas da fraude de Eduardo pesava mais do que qualquer metal precioso.
Roberto, com a pele acinzentada, tentou se erguer, mas a fraqueza física o ancorou aos travesseiros. O patriarca encarou Lucas com o desprezo de sempre, uma máscara de arrogância que já não encontrava lastro na realidade.
— Você... — a voz de Roberto saiu como um arranhado de lixa. — Nunca passou de um estagiário descartável. Acha que pode me chantagear agora que estou nesta cama?
Lucas inclinou-se, o rosto iluminado pela luz fria dos monitores. Sua voz era cirúrgica. — O dinheiro, Roberto, é o menor dos seus problemas. O Fundo Sovereign quer a sua cabeça, Eduardo quer o seu cargo, e a sua família quer o seu silêncio. A única coisa que separa você de uma ruína pública é a minha decisão de manter ou não este monitor ligado.
Beatriz entrou na sala. Seu rosto estava marcado por uma nova e perigosa lucidez. Ela fechou a porta com um estalo, selando o destino do clã.
— O conselho está em pânico — Beatriz declarou. — Eduardo tentou apagar os logs do servidor central, mas o sistema de segurança que ele mesmo instalou bloqueou a deleção. Ele sabe que temos o que precisa para enterrar o nome Viana.
Lucas virou-se para ela, a aliança estratégica consolidada. — Ele não está apenas desesperado. Ele está acabado. O Fundo Sovereign já me contatou; eles querem a holding, mas eu quero a estrutura. O erro médico foi o estopim, mas a fraude financeira é a guilhotina.
Minutos depois, as portas duplas da sala de reuniões escancararam-se. Eduardo Viana, à cabeceira da mesa, sentiu o sangue fugir do rosto ao ver Lucas entrar.
— Você não tem permissão para estar aqui! — Eduardo disparou, a voz falhando. — Segurança!
Lucas ignorou os seguranças. Ele caminhou até a mesa de vidro e projetou os documentos bancários na tela principal. Os números eram inegáveis: desvios, contas em paraísos fiscais e a negligência criminosa que quase custou a vida do patriarca. O conselho, antes hostil, transformou-se em uma colmeia de murmúrios.
Lucas caminhou até a cabeceira da mesa, o lugar que fora de Roberto por décadas, e apoiou as mãos no mogno. Sua competência técnica, agora exposta como uma arma, silenciou a sala.
— A votação não é mais uma opção — Lucas decretou. — O Fundo Sovereign está aguardando minha resposta. Ou vocês aceitam a reestruturação sob meu comando, ou eu entrego este dossiê à Polícia Federal antes do fechamento da bolsa.
O silêncio que se seguiu foi o som da queda de um império. Roberto, no leito da UTI, era agora apenas um espectador de sua própria derrota. Lucas sentou-se na cadeira do presidente, observando o horizonte de São Paulo. Ele havia vencido a linhagem Viana, mas, ao olhar para a tela do laptop, viu o aviso de uma nova notificação do Fundo Sovereign. A holding era sua, mas a guerra contra os interesses que o haviam contratado estava apenas começando. Ele não era mais o estagiário; ele era o novo arquiteto, e o trono que ocupava era feito de cinzas, pronto para ser moldado.