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Chapter 4: A Queda da Máscara de Ricardo

Arthur desmantela a base de apoio de Ricardo na diretoria ao expor a falência técnica e os desvios criminosos do patriarca. A segurança interna reconhece a autoridade de Arthur, isolando Ricardo. O capítulo termina com a revelação de que Ricardo é apenas um peão de um fundo de investimento internacional muito mais perigoso.

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A Queda da Máscara de Ricardo

O ar na sala de reuniões da Viana Holdings não carregava mais a aura de autoridade inquestionável de Ricardo Viana; agora, cheirava a ozônio e ao desespero metálico de um império em colapso. Ricardo estava de pé na cabeceira da mesa, as mãos espalmadas sobre o mogno, os nós dos dedos brancos. À sua frente, Mendes, o Diretor Financeiro, evitava qualquer contato visual, os ombros encolhidos sob o peso de um silêncio que Ricardo não conseguia mais romper.

— Você tem uma última chance, Mendes — a voz de Ricardo era um sussurro perigoso, destilando a soberba de décadas. — A cláusula de 2018 é um fantasma. Se você assinar a autorização de transferência para o fundo offshore agora, o conselho esquecerá que você hesitou. O bônus será depositado antes do fechamento do mercado.

Mendes engoliu em seco, olhando para a porta e depois para a pilha de documentos à sua frente, onde a assinatura de Ricardo era a única barreira contra a auditoria interna.

— Ricardo, a auditoria… Arthur já tem acesso aos registros. Se eu assinar, não é apenas um desvio, é uma confissão pública — respondeu Mendes, a voz trêmula.

— Arthur não é nada além de um erro de cálculo que eu vou corrigir em cinco minutos — Ricardo retrucou, avançando um passo. — A segurança ainda responde a mim. Se você não assinar, sua saída deste prédio será acompanhada por escolta armada. Escolha: lealdade a quem construiu este império ou o fim da sua carreira.

Antes que Mendes pudesse responder, a porta da sala se abriu com uma suavidade deliberada. Arthur Viana entrou, caminhando com a calma cirúrgica de quem não precisa de seguranças para impor presença. Ele não olhou para o pai. Em vez disso, depositou uma pasta de couro sobre a mesa, exatamente entre Ricardo e o Diretor Financeiro.

— O jogo de chantagem perde a eficácia quando o alvo não tem mais nada a perder, Ricardo — Arthur disse, a voz cortante e desprovida de qualquer emoção familiar. — Mendes, não se preocupe com a ameaça. A auditoria que a Beatriz consolidou não apenas rastreia o desvio, ela vincula os fundos de fachada diretamente à conta pessoal do meu pai. Cada assinatura sua agora é um prego no caixão dele, não no seu.

Mendes empalideceu, mas o terror em seus olhos deu lugar a uma compreensão pragmática. Ele recuou a mão da caneta, afastando-se do documento de Ricardo como se a folha estivesse em brasa.

— Eu não vou assinar — disse Mendes, a voz recuperando a firmeza ao encarar Ricardo. — O conselho precisa saber a verdade.

Ricardo, acostumado a ser o sol em torno do qual a diretoria orbitava, parecia agora um homem à deriva. Ele bateu a palma da mão na mesa, um som seco que não provocou o tremor habitual nos outros executivos presentes.

— Eu exijo a remoção imediata desse intruso! — Ricardo vociferou, apontando para Arthur com um dedo trêmulo. — Chamem a segurança. Agora!

Beatriz Lemos, mantendo a postura impecável, deslizou um tablet pelo tampo da mesa, parando diante dos diretores remanescentes.

— Antes de qualquer movimento, sugiro que olhem para o relatório de solvência técnica — disse Arthur. — Ou talvez prefiram explicar aos acionistas por que os ativos da empresa estão sendo drenados para cobrir débitos de cartéis que Ricardo, pessoalmente, autorizou.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Os diretores, que até horas antes temiam a fúria do patriarca, agora baixavam os olhos para os números no tablet: a prova da falência técnica era irrefutável. Ricardo viu seus aliados se tornarem estátuas de mármore. Ele estava isolado na cabeceira da mesa, despojado de sua autoridade funcional.

Em um último surto de desespero, Ricardo olhou para a porta.

— Segurança! Removam esse intruso. Agora!

Dois seguranças de elite, trajando ternos impecáveis e fones de ouvido, entraram na sala. Ricardo estufou o peito, aguardando o movimento habitual de submissão. Os homens pararam. Seus olhares não se voltaram para o patriarca, mas para a figura sentada à mesa. O chefe da segurança, Rocha, deu um passo à frente, mas ignorou o gesto autoritário de Ricardo. Ele inclinou a cabeça para Arthur, esperando uma ordem.

Arthur observou a cena com uma calma que parecia drenar o oxigênio da sala. Ele não se apressou. Com um gesto sutil, indicou a Ricardo a porta de saída. Os seguranças, sem hesitar, aproximaram-se de Ricardo, não para protegê-lo, mas para escoltá-lo para fora de seu próprio reino. O patriarca tentou gritar, mas as palavras morreram na garganta ao ver que nem mesmo o conselho se atrevia a olhá-lo.

Quando a sala finalmente se esvaziou do peso de Ricardo, Beatriz se aproximou de Arthur. O silêncio era absoluto, interrompido apenas pelo zumbido do ar-condicionado.

— Vencemos a diretoria, Arthur — ela sussurrou, a voz carregada de uma cautela inesperada. — Mas não comemore muito cedo. A auditoria revelou algo que não estava nos planos. Há um fundo de investimento internacional, obscuro e muito mais vasto que a nossa família, financiando as manobras que Ricardo tentou esconder. Se ele era o peão, alguém maior está segurando o tabuleiro.

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