O Arquivo Esquecido
O ar no escritório de Rafael Bittencourt não era apenas condicionado; era uma redoma de vidro, estéril e carregada de uma eletricidade que Beatriz sentia vibrar sob a pele desde a noite anterior. Ela mantinha a coluna reta, os ombros distantes das orelhas, uma postura de consultora impecável que, naquele momento, servia apenas como uma armadura frágil contra a invasão definitiva de sua vida privada.
— Minha agência é independente, Rafael — Beatriz disse, a voz firme, embora o coração martelasse contra as costelas. — Mover minha operação para dentro da sua sede é um erro estratégico. O mercado vai interpretar isso como uma fusão de interesses, não um noivado.
Rafael, sentado atrás da mesa de mogno maciço, não desviou o olhar da tela do computador. Ele parecia imperturbável, mas a maneira como seus dedos tamborilavam na superfície indicava
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