A Máscara de Vidro
O salão de gala não era um ambiente, era uma sentença. Sob o brilho dos lustres de cristal, a elite de São Paulo observava Beatriz como quem analisa uma peça de leilão com defeito. Rafael Bittencourt, ao seu lado, não era apenas um parceiro; ele era a muralha que impedia o colapso total de sua vida. Sua mão, firme na curva da cintura de Beatriz, não buscava intimidade, mas exercia uma posse calculada que queimava através da seda do vestido.
— Sorria, Beatriz. O mercado é um predador que fareja o medo — ele sussurrou, a voz baixa e letal, colada ao ouvido dela enquanto os fotógrafos se aglomeravam como abutres.
Beatriz manteve o rosto sereno, a máscara de consultora impecável que l
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